sexta-feira, 12 de março de 2010

Nome de cão por Natasha Banat


Era tarde de domingo e estava em casa morrendo de tédio, queria ligar para algum amigo ou parente, mas a casa estava sem energia e, como era velho demais para dirigir, também não podia ir visitá-los, já que moravam longe de mim. Resolvi então ir ao parque perto de casa, frequentemente, encontrava amigos e ficávamos conversando horas a fio no banquinho debaixo da arvore. Fui e fiquei lá alguns minutos sentado no banco observando as pessoas, na esperança de encontrar um conhecido. Nada. Esperei mais alguns minutos, já estava cogitando a possibilidade de voltar para casa quando ouvi alguém chamar o meu nome, finalmente! Olhei para trás e vi uma mulher já velha me chamando desesperadamente, eu perguntei se podia ajudar de alguma forma e ela disse que tinha perdido seu cãozinho José, então percebi que ela não estava me chamando. Que estranho colocar nome de gente em cachorro. Disse que não tinha visto seu cão e continuei a observar as pessoas, mas dentre elas uma moça me chamou a atenção, na verdade não exatamente a moça, mas o seu cachorro que se chamava nada mais nada menos do que José, parece que meu nome era bem popular no mundo canino afinal. Fiquei pensando então quantos cães chamados José haveria no mundo, nesse pequeno parque já eram dois. Fiquei pensando, pensando e quando vi já era hora de voltar pra casa, essa tarde de domingo tinha sido uma das mais rápidas da minha vida e também uma das mais importantes, pois tinha tomado uma decisão daquele dia em diante eu ia pedir para todos me chamarem de Totó. Ora! Se os cães podem ter nome de gente porque as pessoas também não podem ter nome de cão?

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