
Lúcia era uma menina muito bonita que morava no sertão nordestino, numa vila muito pequena e isolada, que tinha a característica fala incorreta. Entretanto, a menina era muito amada, e vivia por aí com um capuz vermelho, tendo sido apelidada de “Chaperzinho Vermeio”.
-Pela istrada afora, eu vou bem sozinha... (Pela estrada afora, eu vou bem sozinha)- cantarolava a menina, indo visitar sua avó- ai, que dia bão pra i visitá a vó... Mas eu tenho di tomá cuidado, o os lobo me pega de jeito!(Ai, que dia bom para visitar a vovó... Mas eu tenho de tomar cuidado, ou os lobos vão me pegar de jeito!)
Foi quando Chaperzinho Vermeio encontrou um lobo.
-Pronde tu vai?(Para onde você vai)
-Pra casa di minha avó. Ela ta doente, e eu fiz esse doce de caju pra ela. Ela mora lá perto do sítio do Nhô Bento.(Para a casa da minha avó. Ela está doente, e eu fiz esse doce de caju para ela. Ela mora perto do sítio do Senhor Bento)
-Ara, pois eu também soube da doença di tua avó e tava indo visitá ela agorinha mermo!(Ora, pois eu também soube da doença da sua avó e estava indo visitá-la agorinha mesmo!)- o lobo mentiu- vamu vê quem chega mais rápido na casa dela?(Vamos ver quem chega mais rápido na casa dela?)
A menina aceitou a corrida, mas o lobo era bem rápido. Chegou logo à casa da avó e a comeu, assumindo seu lugar para esperar Lucia.
Esta chegou alegre, achando que havia vencido a corrida. Pediu a bênção da avó e sentou-se ao lado dela. Mas, conforme se aproximou, viu que a velha estava um tanto diferente.
-Vó, pra mó di que que tu tem uns zoio tão grandi?(Vovó, por que você tem estes olhos tão grandes?)
-É pra mó di eu ti vê mio.(É para te ver melhor)
-E pra mó di que qui tu tem esse nariz tão grandi?(E por que tens este nariz tão grante?)
-É pra mó di eu ti cheirar mio.(É para te cheirar melhor)
-E pra mó di que essa boca tão grandi?(E para que esta boca tão grande?)
-É pra mó di eu ti cume mió!(É para eu te comer melhor!)
E dizendo isso, devorou a menina.




