segunda-feira, 10 de maio de 2010

“Chaperzinho Vermeio” por Juliana Ribeiro


Lúcia era uma menina muito bonita que morava no sertão nordestino, numa vila muito pequena e isolada, que tinha a característica fala incorreta. Entretanto, a menina era muito amada, e vivia por aí com um capuz vermelho, tendo sido apelidada de “Chaperzinho Vermeio”.

-Pela istrada afora, eu vou bem sozinha... (Pela estrada afora, eu vou bem sozinha)- cantarolava a menina, indo visitar sua avó- ai, que dia bão pra i visitá a vó... Mas eu tenho di tomá cuidado, o os lobo me pega de jeito!(Ai, que dia bom para visitar a vovó... Mas eu tenho de tomar cuidado, ou os lobos vão me pegar de jeito!)

Foi quando Chaperzinho Vermeio encontrou um lobo.

-Pronde tu vai?(Para onde você vai)

-Pra casa di minha avó. Ela ta doente, e eu fiz esse doce de caju pra ela. Ela mora lá perto do sítio do Nhô Bento.(Para a casa da minha avó. Ela está doente, e eu fiz esse doce de caju para ela. Ela mora perto do sítio do Senhor Bento)

-Ara, pois eu também soube da doença di tua avó e tava indo visitá ela agorinha mermo!(Ora, pois eu também soube da doença da sua avó e estava indo visitá-la agorinha mesmo!)- o lobo mentiu- vamu vê quem chega mais rápido na casa dela?(Vamos ver quem chega mais rápido na casa dela?)

A menina aceitou a corrida, mas o lobo era bem rápido. Chegou logo à casa da avó e a comeu, assumindo seu lugar para esperar Lucia.

Esta chegou alegre, achando que havia vencido a corrida. Pediu a bênção da avó e sentou-se ao lado dela. Mas, conforme se aproximou, viu que a velha estava um tanto diferente.

-Vó, pra mó di que que tu tem uns zoio tão grandi?(Vovó, por que você tem estes olhos tão grandes?)

-É pra mó di eu ti vê mio.(É para te ver melhor)

-E pra mó di que qui tu tem esse nariz tão grandi?(E por que tens este nariz tão grante?)

-É pra mó di eu ti cheirar mio.(É para te cheirar melhor)

-E pra mó di que essa boca tão grandi?(E para que esta boca tão grande?)

-É pra mó di eu ti cume mió!(É para eu te comer melhor!)

E dizendo isso, devorou a menina.

Para sentir seu leve peso por Juliana Ribeiro


Tão convicta estava de que não deveria abrir a caixinha, a menina só abria uma mísera frestinha da tampa para jogar algum alpiste para a ave.

Mas também era difícil resistir à tentação. Lembrava-se de que o rouxinol era muito bonito que cantava muito bem.

Aliás fazia tempo que a ave não cantava. A menina pensou que, devido ao escuro da caixinha, o bichinho vivia dormindo, pensando que era noite.

Certo dia, não resistiu e abriu a caixa para acordar o rouxinol. Tentou empoleirá-lo no dedo, mas a ave estava dura feito pedra e fria feito gelo.

O príncipe por Juliana Ribeiro


Tiago aproximou-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

-A senhorita, com ar solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

-Sim, o meu namorado, um príncipe!

O rapaz se afastou. Para ele ficara claro que a menina ou não queria conversa, ou não era boa do juízo. Ficou apenas observando a tal namorada do príncipe.

Minutos se passaram e a garota continuou sozinha. “Bem feito” pensou “quem mandou me dar um fora?”.

Foi quando um rapaz aproximou-se dela. “Outro palerma dando em cima dela... Sai dessa, filho!” ele quase falou, imaginando que o outro fosse levar também um fora. Mas, em vez disso, ela o beijou.

Tiago ficou olhando, pasmo. Então aquele era o tal príncipe? Resolveu olhar mais de perto.

Espera. Não era aquele o Robert Pattinson?

A dentadura por Juliana Ribeiro


Havia anos que o policial trabalhava no ramo. Décadas, talvez. No entanto, nunca em sua carreira havia visto uma cena de crime como aquela.

A olhos leigos, o apartamento estava em perfeito estado. So depois de um autêntico inventário dos bens do proprietário que era possível visualizar que alguma coisa fora subtraída daquele ambiente aparentemente imaculado.

Sem deixar digitais ou fios de cabelo, o gatuno deixara a cena do crime sem sequer ser visto pelos vizinhos. O crime perfeito, pensava o policial.

Eis que dá um passo e chuta um pequeno objeto, que vai de encontro à parede. Com medo de ter alterado a localização de algo que pudesse vir a invalidar o trabalho dos detetives – embora seu progresso até o momento tivesse sido mínimo –, tratou de ir descobrir do que se tratava.

No canto da parede, tão discreta que não a teria percebido se não estivesse olhando diretamente para ela, havia uma dentadura. Sem Dúvidas, o objeto mais inesperado para se encontrar no chão da cena de um crime. Pergunta ao dono do apartamento se os dentes postiços eram dele, de algum amigo ou parente. Não eram. Os detetives, no entanto, interessaram-se bastante pelo artefato.

Dias depois, um suspeito do crime berrava ao júri, as gengivas sem dentes a mostra, que era inocente.

Me dê o seu, e seja feliz! por Laís Linhares


Dinheiro. Tudo, ou quase tudo, gira em torno dele. Sua falta gera miséria e assaltos. Seu excesso gera descontrole, e sua busca, corrupção. Porém, a questão é: Dinheiro traz ou não a tão sonhada felicidade?

Falando nisso, contarei a vocês uma história, que talvez esclareça essa questão. Certo dia, um ambientalista amigo meu estava fazendo uma campanha que o grande mal da população era o dinheiro, e que sua busca e aplicação destruía cada vez mais o meio ambiente. O ambientalista pedia para os membros da campanha para que doassem uma parte do dinheiro de cada um para dar para outras instituições do meio ambiente. Dito e feito. E meu amigo ficou com o bolso recheado de dinheiro e de uma forma bem estranha, que até hoje ainda não desvendei, ele fugiu para um lugar desconhecido e bem longe, com o todo o dinheiro arrecadado, e por lá decidiu abdicar sua vocação, inebriado pelos efeitos do dinheiro, decidiu morar lá. Com toda a felicidade e com todo o dinheiro do povo.

Será mesmo que dinheiro não traz felicidade? Na dúvida, me dê o seu e seja feliz!

Cada um com seu patrimônio por Laís Linhares.


Antiguidade. Sinônimo de relíquia, que é sinônimo de preciosidade, que por sua vez, é sinônimo de roubo. E foi isso que aconteceu com a famoso pedra Roseta, que originalmente pertencia ao Egito, porém foi capturada pelos ingleses e exposta no museu britânico.

Então, diante dessa injustiça, os egípcios estavam dispostos a qualquer coisa para recuperar a pedra. E foi na madrugada do sábado passado, depois de dois séculos de inércia pela parte egípcia e depois de uma carta frustrada, que não adiantou de nada, finalmente a recuperação foi feita de maneira sorrateira, silenciosa e um tanto audaciosa. Os egípcios revoltados entraram no museu britânico, pegaram a pedra em questão de segundos, e sem deixar resquícios de que eles estiveram lá, pois de uma forma desconhecida conseguiram desativar todos os alarmes e depois voltaram ao Egito.

Porém, na manhã seguinte ao roubo, ao levantarem o pano que cobria a suposta pedra no museu, eles encontraram no lugar da relíquia, nada mais e nada menos que um hambúrguer do Mc Donalds, o mais famoso fast food britânico. E isso com certeza foi uma forma de ironizar a injustiça britânica.

Depois dessa ironia dos egípcios, não se sabe ao certo o que farão os britânicos, mas com isso podemos tirar uma lição: Cada um com seu patrimônio!

Conto por Lígia Antunes


Rafaela era uma mãe de dois filhos que tinha o hábito de sempre ir à farmácia comprar as suas vitaminas diárias, guloseimas para as crianças e quase tudo o que precisava.

Um certo dia, ela foi à farmácia com o seu filho mais novo. Enquanto ela olhava o que ia comprar, não percebeu que o garoto havia saído do lado dela e estava passeando sozinho pela farmácia.

Depois de escolher tudo o que queria, Rafaela foi atrás do pequeno Miguelzinho, pois já estava escurecendo e ela não queria chegar tarde em casa. Quando o encontrou, ele estava sentado no cantinho da farmácia com um vidro de remédio, que estava exposto nas prateleiras mais baixas em sua mão. O remédio não o mataria, mas também não faria nada bem tomá-lo sem necessidade.

Imediatamente, ela o tirou do local e foi até o responsável pelos remédios contar o ocorrido. Ela contou que queriam que todos os medicamentos ficassem atrás do balcão ou então, para o bem de todos, que apenas mudassem os remédios de lugar para prateleiras mais altas, fora do alcance das crianças.

Ela pegou o garoto e o levou ate o hospital, pois ele não estava nada bem, chegando lá viu que não era nada grave e que ele tinha apenas que tomar soro. Rafaela ficou extremamente agradecida e passou a prestar mais atenção em seus filhos quando os levava à farmácia.