quarta-feira, 21 de abril de 2010

O vizinho misterioso por José Valdir



No terceiro dia em que dormia no pequeno apartamento de um edifício recém- construído, ouviu os primeiros ruídos. De normal, tinha sono pesado e mesmo depois de despertar levava tempo para se integrar no novo dia, confundindo restos de sonho com fragmentos da realidade. Por isso não deu de imediato, importância à vibração de vidros, atribuindo-a a um pesadelo. A escuridão do aposento contribuía para fortalecer essa frágil certeza.
O barulho era intenso. Vinha dos pavimentos superiores e assemelhava-se aos produzidos pelas raspadeiras de assoalho. Acendeu a luz e consultou o relógio: três horas. Achou estranho. As normas do condomínio não permitiam trabalho dessa natureza em plena madrugada. Mas a máquina prosseguia na impiedosa tarefa, os sons se avolumando, e crescendo a irritação de Gérion contra a companhia imobiliária que lhe garantira ser excelente a administração do prédio. De repente emudeceram os ruídos.
_ Ótimo! Agora vou poder dormir.
E dormiu
No dia seguinte foi ao encontro dos visinhos para perguntar se ouviram o barulho na noite anterior e, para seu espanto, nenhum deles havia ouvido.
“Deve ter sido só um sonho mesmo” _ pensou.
À noite, o barulho recomeçou, mas desta vez com mais intensidade. Parecia que alguém ou alguma coisa estava querendo cavar um túnel até seu apartamento. Gérion olhou para o relógio e, mais uma vez, eram três horas.
Mais uma vez falou com os visinhos, que nada ouviram. Foi queixar-se com a administração do prédio, esta lhe informou que não havia ninguém morando lá e que nenhum outro morador havia reclamado.
O barulho continuou por mais algumas semanas até que não aguentou e foi averiguar por si só.
Chegou ao apartamento que lhe dava insônias cedo, decidido a permanecer durante toda a noite. O cômodo era basicamente como o seu, uma mesinha no centro da pequena sala, e dois quartos. Ele se abrigou no quarto que se encontrava exatamente em cima de onde dormia. Levou consigo comida, água, binóculos de infravermelho e uma câmera para documentar o que quer que acontecesse.
A noite passava rápido e nada acontecia. Já eram quase três da manhã quando o ambiente começou a ficar mais frio. Uma névoa se formava entorno de si.
Pontualmente às três horas, começou. O barulho parecia maior estando ali. Gérion estava assustado, algo realmente estranho estava acontecendo e ele não sabia o que era.
Queria sair dali, mas seu corpo estava paralisado. Não tinha controle de seus movimentos. Um arrepio subiu por sua espinha deixando-o ainda mais assustado. Queria sair, mas não podia.
De repente algo aconteceu. O barulho aquietou-se, porém, no meio da névoa, alguma coisa vinha em sua direção. Algo realmente fora dos padrões.
Ouviu-se um grito de pavor na noite. Os moradores se assustaram. Pela manhã, não havia sinal de Gérion, nem mesmo de sua câmera.

O melhor amigo por José Valdir


Existem casos em que sãs pessoas extrapolam o limite da razão. Coisas simples que fazem as pessoas perderem a cabeça. O nome de alguém pode ou não pode ser dado a um animal?

Numa tarde de sol em Fortaleza, um acontecimento pára o movimento no calçadão da Beira Mar.
Próximo à estatua de Iracema, já havia uma multidão assistindo ao que ocorria. Dentro de um círculo de gente encontravam-se duas mulheres discutindo, uma delas acompanhada de um cachorro.
Elas eram, com certeza, de gerações diferentes; a da esquerda aparentando 50 anos bem vividos, uma mulher culta e elegante. A da direita, com o cachorro, estava na casa dos 20 anos, era jovem e agitada.
_ Como ousa ofender uma pessoa tão ilustre! - esbravejou a senhora mais velha.
_ E quem é você para dizer como eu posso ou não chamar meu cachorro?! -rebateu a jovem_ O nome dele é, e sempre será, Fernando Pessoa!
_ Se Portugal sabe o que você fez, eles iriam prendê-la!
A discussão continuou por mais alguns minutos. A multidão apoiando hora uma, hora outra. Até que um garotinho com cara de choro foi na direção delas.
_ Com licença moças, - disse ele - vocês podem me dizer onde fica o cartório dos animais? - elas olharam para ele sem entender - É que, se os portugueses podem prender por conta desse moço chamado Fernando Pessoa, tenho medo do que os franceses vão fazer quando descobrirem que meu gato se chama Napoleão.
As duas se emocionaram, desculparam-se, consolaram o garoto, e seguiram seus caminhos.

Dinheiro por Ligia Antunes


Bem, muitos dizem que dinheiro não traz felicidade. Mas, com minha experiência de vida, posso provar o contrário. Dinheiro pode não comprar a felicidade, mas que ele é uma carona para ela, disso eu não posso discordar.
Começarei relatando o que aconteceu comigo ha mais de 25 anos atrás. Minha família era humilde, éramos do interior do Rio Grande do Norte, passávamos fome e vivíamos continuamente expostos a riscos. E o nosso único meio de transporte era uma Jumenta chamada Liby, que puxava uma carrocinha. Enquanto eu e minha família com nossos espíritos nômades nos deslocávamos de um lugar seco para outro mais seco ainda, em busca de uma vida melhor, cruza-nos um rico fazendeiro da região dirigindo uma brilhosa pick-up, abrindo um sorriso com dentes de ouro, esbanjando felicidade.
Ao continuar o caminho, avistamos o poderoso fazendeiro entrando em sua terra, e imaginamos o que poderia acontecer dentro daquele imenso casarão.
Enquanto lá dentro ele devia tomar banho de água tratada e quente, nós tomávamos em um rio raso, expostos a esquistossomose. Enquanto ele escovava os dentes com creme dental de propaganda, nos usávamos o dedo com água e areia Enquanto ele tinha quilos de feijão produzido na fazenda para dividir para a região inteira, nós tínhamos um quilo para dividir para a família inteira.
É... se alguém ainda acha que dá para ficar cheiroso com água do rio, ficar com bom hálito com areia do rio, e matar a fome com poucos grãos. É... Esse alguém está completamente iludido. Pois, a felicidade não vem do cheiro, do hálito, da fome. Vem das coisas que o dinheiro ajuda a trazer. Apenas o dinheiro realmente não traz felicidade, mas ele ajuda bastante.

Conto por Amanda Alencar



- Então quer dizer que a senhorita está esperando o namorado... Interessante.
- Me desculpe, mas não costumo falar com estranhos.
- Prazer, meu nome é Tiago, e o seu?
- Isso não lhe interessa...
- Claro que sim, se estou perguntando... Não vou lhe fazer mal algum, só quero lhe fazer companhia.
- Então tudo bem... Meu nome é Joana.
- Que belo nome minha querida... Gostaria de tomar um sorvete por minha conta? Parece que seu “príncipe” não é tão cavalheiro como deveria, faz uma moça tão bonita o esperar no shopping.
- Hoje é uma exceção, ele sempre chega na hora, para a sua informação. E sim, gostaria de tomar um sorvete, estou com fome e muito calor.
Após tomarem o sorvete, Tiago recebe uma ligação e pede licença para atendê-la. Joana não se importa, afinal, nem conhece o rapaz direito. Aproximadamente 5 minutos depois, Tiago volta e os dois continuam conversando, até o momento em que ele a convence de que seu namorado não virá e faz uma proposta de levar-lhe para casa. Joana muito ingênua aceita a carona.
No meio do caminho, Tiago muda a rota e leva Joana para um lugar totalmente desconhecido, uma casa abandonada, onde começa a ameaçá-la de morte. A jovem fica desesperada, pedindo pelo amor de Deus que ele não faça isso, que ela tem uma família maravilhosa e um namorado ótimo. Ao terminar de falar isso, seu namorado, Henrique, entra na casa e a surpreende, dizendo:
- Não acredito que você caiu nessa Joana, sempre fui tão fiel e você faz isso comigo? Sai com o primeiro que lhe aparece? Pois fique sabendo que eu o contratei para testar-lhe e fiquei muito decepcionado!
- Claro que não meu amor, você demorou muito, estava cansada de esperar!
- E por isso sai com o primeiro estranho que vê pela frente? Isto é inadmissível! Está tudo acabado entre nós...
- Por favor! Não! Eu lhe imploro...
- Claro que Thiago não vai matar-lhe, mas nunca mais quero lhe ver! Desapareça daqui agora!
- Desculpe-me, não era minha intenção! Mas como eu lhe amo atenderei seu pedido, adeus querido.
Joana saiu andando até encontrar o primeiro táxi, voltou para sua casa, e nunca mais encontrou seu ex-namorado.

O trem por Amanda Alencar




Dona Joana era uma senhora de aproximadamente 55 anos, mas era muito disposta, morava com seu marido há 30 anos, Seu Raimundo. Suas vidas eram tranquilas e rotineiras, viviam em harmonia um com o outro.
Um dia, Dona Joana teve a ideia de fazer um passeio diferente com o marido, um passeio pelo parque para relembrar os velhos tempos. Depois de muito insistir, Raimundo aceitou a proposta, e marcaram o passeio para o dia seguinte.
Foram de trem para o parque e lá conversaram muito, comeram pipoca, viram pessoas passando e lembraram-se de seu namoro de antigamente, encontraram um casal de amigos que não viam há anos, enfim, foi uma tarde maravilhosa.
Após o pôr-do-sol, resolveram que estava na hora de voltar para casa e novamente entraram no trem. Já estavam pensando na exaustão que seria andar 2km para chegar na casa que ficava em uma vila afastada da linha do trem, quando de repente escutaram um barulho terrível, abraçaram-se e ficaram esperando algo acontecer. Depois de aproximadamente 3 minutos, o trem parou, e ao descerem estavam na varanda de casa. Os dois ficaram surpreendidos e alegres ao mesmo tempo, pois não teriam que fazer uma longa caminhada até a casa.
A polícia chegou após um tempo para saber se alguém tinha se ferido, mas felizmente não. O casal entrou em casa, jantou e dormiu, mas nunca mais esqueceram àquele dia sensacional.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Cinderela Nordestina por Matheus Fontenelle


Cinderela morava no interior do Ceará, numa cidade chamada Morada Nova. Era uma cidade pacata, com uma rua principal, onde se concentrava o comércio local. Ela, porém, morava em um sítio afastado do centro.

Quando jovem, Cinderela havia perdido seu pai, Seu Chico, e, desde então, morava com sua madrasta, Dona Josefa, que a fazia trabalhar boa parte do dia, sendo ainda bastante controladora em relação aos relacionamentos da jovem. Dessa forma, a relação entre as duas não era muito harmônica.

Certo dia, o carro de som anunciou: "Neste sabado vai ter forrozão lá no sítio do Seu Toinho. Tá todo mundo convidado, vai ser arretado de bom!". Cinderela (chamada de "Cinderéia" pela população local, devido ao sotaque regional), que andava na rua de barro em direção à cidade, ficou entusiasmada e voltou correndo para casa.

Cinderela, ao chegar em casa, foi logo contando a novidade:

- Ei negada, vai ter forró no Seu Toinho esse sábado, posso ir?

Dona Josefa desaprovou a ideia:

- Nem pensar! Você vai ficar em casa cuidando das suas irmãs!

Assim, Cinderela ficou bastante chateada com tal atitude da madrasta. Isso porém, não atrapalhou seus planos. Ela foi na casa da sua vizinha, que lhe emprestou um vestido, e elas se prepararam todo o dia para o evento noturno. Às 6 horas da noite, saíram de pau-de-arara para a festa. Chegando com tanto estilo, logo chamaram a atenção do público em geral. Os homens mais corajosos logo se aproximaram de Cinderela para tentar conquistar seu coração, mas ela se apaixonou por Chiquinho, filho do Seu Toinho, anfitrião da festa. Ele, apesar do nome, de pequeno nada tinha: era o cangaceiro mais arretado da região.

Assim, os dois dançaram a festa toda. No final do evento, os dois se abraçaram, e, no momento em que Chiquinho ia dando uma "beiçada" na menina, sua vizinha grita:

-Vem Cinderéia, que o pau-de-arara já vai sair!

Meio desapontada, Cinderela saiu correndo. Na pressa, ela acabou deixando cair sua sandália de couro. Logo depois do carro partir, Chiquinho pegou a chinela dela. O problema era que ele não sabia onde ela morava. Mas isso não era problema para ele: o homem saiu batendo de porta em porta até encontrá-la. Quando o fez, ele não hesitou: deu uma "beiçada" apaixonada nela, por um ou dois minutos.

Desde então, os dois estão juntos, e são considerados por muitos o casal mais bonito da região. Uma coisa, porém, Cinderela tinha certeza: Chiquinho era o seu príncipe de conto de fadas.

Aventura na selva por Matheus Fontenelle


João e Pedro eram amigos de infância. Conheciam-se desde os 5 anos de idade e sempre estudaram juntos. Sempre que podiam, gostavam de se aventurar em lugares perigosos.

Certo dia, eles resolveram ir para a Amazônia, a fim de conhecer melhor a floresta, o que era um dos grandes sonhos deles. Assim, eles viajaram até lá, ficando em um hotel no meio da Floresta Amazônica.

Para conhecer melhor a região, eles resolveram alugar um helicóptero, já que João era piloto de uma empresa de táxi aéreo. Após 10 minutos de voo, começou uma tempestade. Apesar do mau tempo, eles continuaram o trajeto, já que João era bastante experiente.

À medida em que eles avançavam, a tempestade piorava, até que um raio atingiu a aeronave e todos os sistemas entraram em curto-circuito, de forma que o helicóptero acabou caindo. Por sorte, eles estavam em uma baixa altitude e apenas tiveram cortes leves. O problema maior, porém, era o fato deles estarem sozinhos no meio da floresta.

Eles tentaram recuperar alguns equipamentos importantes do helicóptero, como rádio, gps e sinalizadores, mas tudo estava inutilizável. Vendo que não tinham como se comunicar com o controle de tráfego nem com outras aeronaves, resolveram abandonar a aeronave e seguir para leste, onde esperavam encontrar alguma cidade ou vila.

No segundo dia na selva, eles encontraram uma fazenda com plantação de maconha. Por um lado, eles ficaram felizes, já que poderiam encontrar abrigo e comida. Apesar disso, eles corriam grande risco de vida, já que o cultivo da maconha era ilegal.

Assim, resolveram primeiro fazer uma espécie de reconhecimento antes de tomar alguma decisão. Eles perceberam que, junto à plantação, havia uma casa, onde os trabalhadores ficavam, e uma pequena pista de pouso, que estava vazia, sem nenhuma aeronave estacionada. O movimento era intenso nas instalações e os homens eram fortemente armados, com fuzis de guerra.

Eles perceberam que estavam bastante vulneráveis naquela situação, e resolveram montar um acampamento a poucos quilômetros de lá, de onde poderiam ter idéia do que o ocorria na plantação sem serem percebidos.

Após poucos dias, pousou na pista uma pequena aeronave, provavelmente utilizada para levar suprimentos aos trabalhadores. Assim, João e Pedro perceberam que aquela era uma ótima situação para eles fugirem. Quando estavam todos os trabalhadores bem longe dela, os dois entraram e João, que sabia como pilotá-la, decolou da pista. Eles chegaram até Manaus e a primeira coisa que fizeram foi denunciar a plantação ilegal.

Os dois foram recompensados e, para completar, tiveram o direito de ficar com a aeronave que usaram para fugir. Com ela, viajaram para os mais diversos cantos do mundo, em busca de novas aventuras.

Engarrafamento por Taís Lima


Lucas acorda cedo, é hora de trabalhar. Entra no carro e segue seu percurso diário.

Olha para o céu e vê que está escuro:

- Deve ser a poluição - ele pensa.

Depois observa o trânsito e percebe que continua a mesma coisa, o mesmo engarrafamento de sempre. Também, em uma cidade como São Paulo não poderia ser diferente: um simples caminho pode se tornar uma viagem, pois o enorme corredor de carros trafega lentamente.

O "stress" de Lucas aumentava cada vez mais. As horas passavam muito devagar e os carros pareciam ainda estar no mesmo lugar. As buzinas soavam a todo instante. Pessoas gritavam loucamente, no limite de suas paciências, na tentativa de que os automóveis fossem adiante.

Tudo ia ocorrendo ao mesmo tempo, até que de repente, algo aconteceu e fez com que Lucas esquecesse de tudo naquele instante e focasse seu olhar para um homem que estava a sua frente, dentro do carro e parecia fora de si: buzinava descontroladamente, não parava de xingar todos e sua expressão era de muita fúria, que chegava a assustar. Um dos xingamentos, se direcionou ao motorista ao seu lado, que se ofendeu e foi se defender. Mas, fez isso de forma errada: xingou o homem louco com palavras mais ofensivas ainda e isso gerou um "bate boca" sem fim...ou melhor, o desfecho da situação se deu quando o ser alterado sacou uma arma do carro e atirou no outro com o qual discutia, acertando-lhe o peito.

No outro dia, o noticiário registrou exatamente o tal fato observado atentamente e desesperadamente por Lucas. O homem que levou o tiro, não resistiu e morreu.

Amor felino por Taís Lima


Joana adorava gatos. Admirava tudo neles: o comportamento, a elegância, o carinho que tinham pelos donos, o pelo macio.

Toda vez que saía com sua mãe e encontrava um gatinho na rua, não importava se tinha dono ou não, corria em direção ao bichinho para acariciá-lo, e fazia isso sem o menor medo. Os felinos até gostavam, a prova disso é que lambiam a sua mão em sinal de agradecimento.

As pessoas do bairro, que Joana morava, já nem estranhavam mais a atitude da menina e não se importavam em deixar seus gatos soltos por aí, pois Joana logo tratava de cuidar de todos, parecia até que havia um imã entre a garota e esses animais. Era uma atração recíproca.

Mas, mesmo com todo esse amor e dedicação aos gatos, Joana ainda não tivera a oportunidade de possuir tal animal e um dia, seus pais surpreenderam-na, presenteando-a com um lindo gatinho, após a filha voltar do colégio.

Ele era peludo e branquinho e Joana encantou-se com ele como nunca havia ocorrido com outro desses animais. Tanto que certa vez, sua mãe a procurava para almoçar e quase teve um infarte ao ver a filha em cima do telhado, brincando com o animalzinho.

Talvez a menina só precisasse de companhia para curtir a infância.

A princesa e o banco por Clarice Biasoli


Thiago aproxima-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

- A senhorita, com um ar tão solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

- Sim, meu namorado, um príncipe!

Aquela frágil menina sentada, escondia uma face triste e tímida. A verdade é que toda semana ela ia ao shopping sentava no mesmo banco e esperava, esperava um dia pôr um príncipe.

Thiago saiu triste, com seus pensamentos longe, só pensava na tamanha grosseria da menina.

Foi ao encontro de seus amigos que estavam tomando sorvete. Chegando lá, ele contou-lhes a frustrada tentativa de diálogo, os amigos ficaram curiosos para ver a tal menina. Decidiram todos passar pelo banco de novo.

Escondidos em um quiosque próximo ao banco, ficaram observando a menina por um bom tempo, e ninguém se aproximava dela.

Thiago encorajado pelos amigos, resolveu ir falar com ela de novo.

Aproximou-se e disse:

- Desculpe-me, mas estava te observando,onde está o seu namorado?

- Estou à procura dele há muito tempo,ela explicou a história e seu ritual esperançoso.

Depois de ouvir a historia atencioso,Thiago disse:

- Olha,eu não tenho um cavalo branco,não moro em um castelo,mas acho que nós poderíamos nos conhecermos, o que achas?

- È pode ser, já que você apareceu e tal... Vamos ver um filme? Tem um que estou querendo ver há semanas.

- Vamos então!

Assim os dois saíram juntos como príncipe e princesa para terem seu compromisso real.

Conto por Mariana Veras


Era um dia de sexta-feira e havia um tumulto na pracinha que estava provocando um engarrafamento fora do comum. Desci do carro e me dirigi ao aglomerado de pessoas para verificar qual era o problema. Vi uma ambulância e alguns carros de polícia estacionados, então fiquei um pouco assustado.

Perguntei a uma moça o que estava ocorrendo e ela falou que alguém havia levado um tiro. Imediatamente, um senhor ao meu lado falou:

- 5 tiros.

Perguntei ao ancião se a pessoa que estava caída no chão era a vítima e ele respondeu-me indiferente:

-É.

Ele acrescentou que um policial estava em seu horário de trabalho e um jovem o convidou para brincar de pegador. O PM aceitou e saiu correndo atrás do garoto. Interrompi-o e indaguei:

- Brincando de pegador?

- É. O PM pensou que...

-... em vez de pegar, devia-se atirar no adversário. – completei.

O velhinho confirmou e eu fiquei perplexo. Ele me contou que havia presenciado a cena e que o policial atirou 5 vezes porque pensou que só um não seria suficiente para que o jovem percebesse que fora alcançado. Indignado, perguntei quando o fato havia ocorrido.

- Hoje?

- Cedinho.

Percebi, pela expressão do ancião, que eu estivera brincando de pegador de uma forma errada desde que me tornara policial. Eu devia perguntar aos meus colegas de delegacia para que se usa uma arma, já que não é para brincar de pegador. Saí pensativo e retornei ao carro, pois já estava atrasado para meu outro trabalho.

Conto popular por Mariana Veras


Bela era uma moça muito bonita que morava no sertão nordestino. Ela havia nascido em um casebre no interior do estão, em condições adversas, e a parteira a amaldiçoara no momento em que ela veio ao mundo: disse à sua mãe que quando ela completasse dezoito anos, furar-se-ia com o espinho de um cacto, adormeceria, e somente um curandeiro poderia salvá-la.

Certo dia, Bela estava tecendo uma toalha no bilro para enfeitar a mesa na comemoração de seu aniversário de dezoito anos. De repente, percebeu que a linha havia acabado e decidiu ir à casa de sua prima para pedir o material emprestado. O caminho tinha vários obstáculos naturais e, acidentalmente, quando desviava dos galhos secos das árvores, colidiu com um cacto.

Notando a demora, a mãe de Bela, que estava a lavar roupa, saiu à procura da garota. Pouco tempo depois, viu-a caída no chão e percebeu que seu dedo sangrava incessantemente. A garota foi levada pela mãe ao casebre de taipa e esta se desesperou, ordenando que o marido tomasse alguma providência.

Vários dias se passaram e Bela permanecia adormecida. Determinada noite, um rapaz lindo apareceu na casa e se apaixonou pela menina. Afirmou que era curandeiro e que sabia uma forma de fazê-la despertar. Após uma demorada reza, Bela acordou e ela passou a amá-lo de forma recíproca. Os dois ficaram juntos e viveram uma vida feliz na caatinga nordestina.

Crônica por Clarice Biasoli


A velha frase de autor desconhecido, “O crime não compensa”, nunca esteve tão correta.

Todo dia através dos meios de comunicação ficamos sabendo de mais um assalto, mais uma morte...

Em setembro, o americano Paul Lee, tinha a intenção de um roubo perfeito que nem o maior detetive descobriria, algo para entrar na história. Tomou todas as medidas preventivas, luvas, máscara, corda e lanterna.

Contando com sua agilidade e coragem, entrou na casa da família americana e levou carinhosamente para sua casa, o que eles teriam de mais, a seu ver, TVs, DVDs e por ai vai.

No dia seguinte os moradores da casa foram logo ligar a TV, e ela onde estava? Ninguém sabia, não havia rastros. Até, a pequena criança, moradora mais recente, encontrar uma arcada dentária, que seria em nosso século uma dentadura de um homem com uma boca avantajada.

A perícia examinou os dados constantes da dentadura, e encontrou o criminoso, que foi preso, sorrindo sem seus dentes.

É meus amigos, a luta contra o crime organizado é difícil, principalmente se for muito organizado.