quarta-feira, 28 de abril de 2010

Transcedente por Thais Lopes


Ele estava junto à parede dos fundos de um supermercado. Virei à esquina e me deparei com ele. Fazia sol naquela manhã, pois muitos têm sido os dias de sol. Mas, como era ainda bem cedo, e a cidade mal despertava, o sol esbranquiçado e preguiçoso lançava sobre a calçada uma luz tímida, oblíqua. Seus raios, depois de esgueirar-se por entre os prédios ainda envoltos pelas últimas sombras, incidiam sobre o chão apenas num determinado ponto. E o facho de luz reticulado pelos grãos de poeira em suspensão derramava-se sobre as pedras portuguesas com um toque quase sobrenatural, como um raio de anunciação.

Pois era bem ali – no trecho da calçada banhado por aquele sol primeiro – que ele, o anjo, encontrava-se. Olhando diretamente nos meus olhos, ele sorriu. Eu me aproximei.


- Pensei que você não viesse mais. Para que toda essa demora, afinal, Valentina? – perguntou o anjo, ainda sorrindo.

- Eu não consegui pegar um táxi, tive que vir andando... Como é que você sabe meu nome?

- Mas isso não é óbvio? Eu estou aqui lhe esperando desde ontem à noite, Valentina. Por que você me deixou esperando?

- Eu não... Por que você estava me esperando? Quem é você? – perguntei, com uma sensação de que tudo aquilo não passava de uma grande piada.

- Fui eu quem te levei até sua casa para você se despedir, ontem à noite. Você não se lembra?

- Mas ontem à noite... – foi aí que eu me lembrei o que aconteceu ontem à noite. – Ah, meu Deus! Quer dizer que aquele acidente foi real? Não foi só um sonho? Ai, não. Ah, meu Deus, eu morri. Eu estou morta!

- Calma, Valentina. Eu pensei que você tivesse entendido tudo ontem á noite. Eu lhe expliquei tudo, não lembra? – perguntou o anjo. Eu estava meio em estado de choque pela descoberta da minha própria morte. Não pude responder.

- Mas... Mas... Se eu estou morta, como é que eu... Por que eu não estou no céu? Por que você não está no céu? E se alguém nos vir aqui? Quer dizer, eu deveria estar morta!

- Valentina, você não pode partir. – ele disse, olhando-me seriamente.

- o que? Quer dizer que eu vou ficar aqui? Para sempre? Não. Eu não quero ficar aqui!

- Você ainda está presa ao seu corpo. Ele diz que você está em coma. Não quer acreditar. – Ele segurou minhas mãos para me tranqüilizar. Então era isso. Eu não podia partir. Meu coração ainda estava ligado ao dele.

- E o que eu faço? O que eu faço para poder partir? – perguntei, à beira de uma crise de choro. Parece que nem morta eu ia deixar de ser chorona.

- Você tem que esperar, Valentina. Você tem que se despedir. Fez isso ontem à noite, como eu lhe expliquei?

- Eu não sei... Não me lembro! Pelo visto não funcionou, já que eu ainda estou aqui!

Exatamente nessa hora, um carro parou atrás de nós. Eu me virei e vi Felipe descendo do carro. Ele parecia muito abatido. E olhava as marcas de pneus no asfalto, resultados do acidente.

- Ah, Felipe! Não sofra! – virei-me para o anjo, começando a chorar. – Por favor, diga a ele que eu estou bem, que vai dar tudo certo. Por favor, não o deixe sofrer!

Uma única lágrima caiu do rosto do anjo parado à minha frente. E então ele sorriu. Eu me virei para Felipe e vi que ele também estava sorrindo, embora fracamente. Eu também sorri. E soube que ele ficaria bem.

De repente, senti como se o vento estivesse passando por dentro de mim. Assustada, agarrei a mão do anjo e vi que ele estava desaparecendo, como se estivesse desbotando. Olhando para baixo, vi que o mesmo acontecia comigo. Então uma forte luz me invadiu.

E eu estava flutuando, subindo por entre as nuvens de mãos dadas com um anjo.

O fim? por Thaís Lopes


No canto da praça, enquanto a banda toca no palco instalado para o carnaval, vejo um casal. Ele com um ar de quem se desculpa. Ela com certo toque de desespero.

Pergunto-me sobre o que conversam. Comento com a minha prima. Que estranho ver um casal tão sério em meio a tantos que cantam, dançam e jogam uns nos outros aquela espuma detestável.

Ele pega as mãos dela e olha em seus olhos. Ela desvia o olhar, olhando para o chão. A curiosidade me assalta de novo. Que será que discutiam com tanta intensidade em meio a essa desmedida folia? Será que vão terminar tudo em pleno carnaval.

Ele diz algo e consegue lhe arrancar um sorriso. Mas ela logo volta a sua expressão desconsolada. Ele tenta argumentar, mas não surte efeito. A moça começa a se exaltar. Ele continua falando-lhe calmamente.

Ele tenta abraça-la, ela hesita, mas acaba cedendo. Ele lhe dá um beijo no rosto e se vira para partir, parecendo abatido e pensativo. Ela o vê partir melancolicamente, depois passa a encarar o chão. Também eu me sinto triste por aquele inesperado fim. E me bate a curiosidade de saber por que terminaram.

De repente ele para, e se volta para ela novamente. Anda até onde ela está, levanta seu rosto com um dedo e lhe sorri. Ele diz algo em seu ouvido. Ela faz uma cara de surpresa e lhe faz uma pergunta. Ele faz que sim com a cabeça, sorrindo.

Ela abre um radiante sorriso, pula em seus braços e eles se beijam. Não consigo conter um sorriso ao vê-los tão felizes, finalmente. Ele lhe beija o rosto e saem, um para cada lado. Apenas mais uma história de amor de carnaval. Pelo visto essa teve um final feliz.

Crônica por Luanna Andrade


Tive vários amores. Laila, Priscila, Tati... Todas moraram comigo por um tempo, mas não me apeguei tanto porque sabia que, uma hora, elas partiriam. Mas quando Malu me deixou, chorei noites a fio, sentia falta do seu carinho, da sua respiração no meu ouvido...
Enfim, casei. Carla era maravilhosa, tinha tudo que eu procurava em uma mulher. Mas um dia, enquanto lhe fazia cafuné, declarei: "Eu te amo, Malu". Ela saiu de casa furiosa, disse que queria o divórcio e tudo mais.
Desconsolado, fui até o quintal num lugar que sempre me reconfortava. Sentei ao lado do túmulo de Malu e pensei, chorando: "Só você me entendia, Malu. Cadela igual a você nunca vai existir...".

Conto por Liane Bastos


Eu, um ladrão de 75 anos, já aposentado, estava entediado de ficar o tempo todo na TV vendo ladrões sendo presos por deixar pistas, porque eu nunca deixava pistas nos meus crimes e então decidi criar outro crime perfeito.

No dia seguinte arrumei todas as coisas que precisava e coloquei a minha dentadura. Avistei uma linda casa que aparentava ter muitos objetos caros no seu interior. Entrei, sempre com o maior cuidado para não deixar nenhuma pista. Peguei tudo que podia, coloquei no saco e de repente eu vejo um cachorro latindo para mim.

Quando eu abri a boca para falar para ele parar de latir, murmurando, é claro, a minha dentadura caiu, e eu não tive tempo de pegá-la porque os donos da casa estavam para chegar.

Então o meu crime perfeito pela primeira vez foi descoberto, por causa da minha dentadura, onde tinha meu nome.

Conto por Isadora Martins


Tiago aproximou-se devagarzinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:
-A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?
Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:
-Sim, o meu namorado, um príncipe!
Tiago achou graça da menina, o modo com ela disse, parecia uma criança ouvindo historias de contos de fada.
-Ah, e eu sou casado com a Rainha da Inglaterra.
A menina olhou torto para o menino:
-Você não acredita? – Tiago respondeu que sim com a cabeça. –Pois fique sabendo que ele é mesmo um príncipe. Ele mora num castelo em Costa Luna, uma ilha bem perto daqui, quando ele vem para o continente, ele vem de barco e aqui tem uma carruagem com um cocheiro lhe esperando. Tiago olhou desconfiado para a menina. Ela começou a falar novamente:
-Não, ele não mora num castelo, mas ele é um príncipe , na verdade ele mora em uma mansão com seus pais e dois irmãos, aqui no Rio mesmo, e tem uma BMW com um motorista para levá-lo para onde quiser.
- É sério isso menina?
- Claro que é. Disse ela, e saiu correndo e dizendo: - Finalmente você chegou. Dando um beijo no tal príncipe.
Tiago quando olhou para trás e viu um menino, mais ou menos da mesma idade que a dele, com uma roupa de príncipe e um homem alto atrás dele, como um segurança. Tiago riu e saiu.

Conto por Ana Beatriz Silveira


Tiago aproxima-se devagarzinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:
- A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?
Depois do ligeiro susto, El empina o nariz e responde:
- Sim, o meu namorado, um príncipe!
- Um Príncipe? Mas, príncipes não existem.
- Claro que existem, e eu estou esperando-o voltar do Reino encantado para me buscar.
- Você é louca! Exclamou Tiago.
Alguns minutos depois, surge um homem vestido de príncipe bem perto do banco onde eles estavam. Então, Tiago disse:
- Como esse homem apareceu aqui? Perguntou surpreso.
- Eu lhe falei que príncipes existem.
- Vamos minha princesa? Disse o príncipe.
- É claro. Respondeu a moça.
- Aonde vão?
- Para o reino encantado!
- Como?
- Através do por transportados do Rei.
Tiago ficava cada vez mais surpreso com o que eles falavam e depois ele perguntou se poderia ir também. Os dois concordaram.
Quando chegaram ao reino encantado, havia fadas, príncipes, gnomos... Como em um conto de fadas.
Os três ficaram cada vez mais amigos e Tiago se apaixonou por Linda, Irma do príncipe. E viveram felizes para sempre no Reino Encantado.

A confusão do forró por Renan Lemos


Lá estava eu e alguns de meus primos, aproveitando mais um bom forró de Tauá, com tudo o que tem direito, como: dançarinas, cervejas e um bom som.
Pois bem, estava tudo tranqüilo e controlável até aparecer aquele primo doido que adora se embriagar, que por observação já estava em torno da oitava latinha de cerveja, começando a fazer baderna e a puxar os cabelos das mulheres que passavam.
Depois de mais uma hora de folia, a cerveja do primo doido tinha acabado, então lá se foi ele na barraca comprar sua nona latinha, mas na hora em que ele comprou a bebida que abriu, para infelicidade do rapaz, ela estava congelada, e como “bebo” é coisa chata, passou mais de meia-hora aperreando o vendedor para dar uma nova bebida.
Cansado de tanto pedir uma nova bebida, o louco do primo se aproveitou da hora que o vendedor servia outra pessoa e com um pulo rápido para dentro do galpão, ele pegou uma cerveja e saiu correndo.
Tudo isso gerou uma grande confusão; havia seguranças correndo atrás do primo, mas no final depois de muita luta, após despistar os seguranças, ele aparece para a gente, segurando a nova cerveja e diz:
-Vocês acreditam que essa aqui também ta congelada?!

O pedreiro "Tauaense" por Renan Lemos


Era uma vez um bom pedreiro de Tauá chamado Osmar, ele tinha pela faixa dos 30 anos, era robusto mas muito matutão além de analfabeto, nunca tinha acreditado que o homem tinha ido à lua e acreditava que essa “tal” de Europa era apenas um mito.
Até que em um terrível dia, Osmar perdeu seu emprego na construtora e teve que ir até a capital para poder trabalhar e sustentar suas 6 irmãns.
Ao chegar em Fortaleza, Osmar ficou impressionado com tanto carro e com um “lago imenso” que ele encontrou chamado mar. Mesmo com toda as dificuldades o matutão de Tauá era vivo e se empregou rapidamente ganhando apenas 300 reais em um pequeno bairro, melhor que nada.
Daí em um inusitado dia, durante a folga e almoço dos pedreiros, um raxa foi iniciado, revelando a imensa habilidade que Osmar possuía.
O dono de construtora era um amigo de um grande empresário que ia atrás de talentos no futebol, chamando rapidamente Osmar para jogar em um de seus times.
Depois que o tempo passou, Osmar se tornou um dos maiores jogadores do mundo, sendo comprado por várias ligas. O salário dele passou de 300 a 300 mil reais, ele é casado com uma modelo da Europa e tem 6 filhos.

O lobisomem de Acaraú por Renan Lemos


Há muito tempo atrás existia uma lagoa amaldiçoada em Acaraú, todos tinham medo dela, até os “cabras” mais machos não ousavam chegar perto. A lenda dizia que era o bebedouro de um lobisomen e que quem chegasse próximo àquelas águas o animal matava a pessoa com ferocidade.
E aí em que aparece John, um pequeno e pacato garoto de 14 anos; ele tinha feito uma aposta com seus amigos que iria dar uma volta na lagoa durante a noite.
De noite, anets da temida ida ao lago, John resolveu passar na lojinha de doces de Seu Antônio – que por sinal havia enriquecido muito rápido ultimamente – para comprar um chiclete querendo acalmar os nervos para o desafio.
Lá pelas tantas da noite, John viu uma criatura muito assustadora, teve vontade de correr, mas permaneceu e logo notou que esse bicho tinha atitudes muito parecidas com as de um humano. O garoto estava atrás de um arbusto e pensava como podia um lobisomen podia usar notebook.
A surpresa do garoto chegou ao alge quando ele viu que a criatura era apenas um disfarce, e quem estava dentro dela era Seu Antônio!
No outro dia, a delegacia foi avisada sobre o que aconteceu durante a noite, descobrindo que o lago não tinha nada de amaldiçoado e que tinha era petróleo! Assim Seu Antônio usava o boato para assustar as pessoas e ficar com tudo para ele.

Dinheiro=felicidade? por Thaís Cunha


Certa manhã, Joaquim acordou em seu pequeno apartamento assustado, como todo dia, sempre preocupado com o trabalho. Mas, naquele dia ele estava mais pensativo, sendo assim comentou com sua esposa:
-Mulher, precisamos ganhar mais dinheiro, não sou feliz!
-Mas, querido, você nunca ouviu falar que dinheiro não é felicidade? Minha patroa é rica e não é feliz, por exemplo.
-Pode até ser verdade, mas nós somos pobres e não somos completamente felizes também.
Os dois ficaram pensativos e apesar de quererem conversar mais, encerraram a discussão, despediram-se e foram trabalhar. Já estavam quase atrasados, o caminho era longo e o trânsito insuportável.
Ambos chegaram na hora, ela era empregada doméstica e ele motorista, eram trabalhos duros e cansativos, porém necessários. Mesmo assim mal conseguiam pagar as contas do fim do mês e muitas vezes, por isso, a tristeza dominava o casal.
No fim do expediente, Joaquim já se preparando para ir embora, seu chefe o chamou. Completamente nervoso e com medo de perder o emprego ele se dirigiu a sala:
-Olá senhor.
-Pode se sentar. Rapaz sabe porquê o chamei?
-Não senhor, mas eu juro que não fiz nada de errado.
-Eu sei, e é por isso que eu resolvi lhe dar um aumento há meses que você me pede.
-Muito obrigado senhor. Eu realmente precisava.
-Agora você já pode ir.
Muito feliz, depois da notícia, correu para casa. Ao chegar, beijou e abraçou a mulher, contou a novidade. Ela sorriu e disse:
-Querido, dinheiro realmente não é tudo, mas pode trazer felicidade.

O ladrão da boca frouxa por Raissa Rocha


Em uma quarta-feira do mês de setembro, mais ou menos umas dezoito horas, o Dr. Willian chegou em casa. Ele morava em Delware, nos Estados Unidos, numa casa grande, que estava em reforma.
Ao retornar para casa Willian se espantou, a casa havia sido assaltada, logo depois chegou sua mulher com suas duas filhas, que também ficaram chocadas com o que havia acontecido. Eles chamaram a polícia, mas de nada estava adiantando, não havia nem mesmo digitais ou fios de cabelo que pudesse dar alguma pista.
Até que a mulher de Willian encontrou uma dentadura que continha o nome do proprietário, Paul Lee, a polícia localizou e prendeu o “ladrão da boca froucha”.

Ídolo por Raissa Rocha


Um menino passeava pelo calçadão da praia. Tinha seus 15 anos. Um menino do interior, que crescido no Rio de Janeiro se considerava carioca, nunca se importou com a presença de atores. Mas, como toda regra tem sua exceção, para ele só um artista o deixaria transtornado: Chico Buarque.

Naquele dia de semana, o menino míope foi à praia de óculos ao invés de lentes. Mergulhou no mar gelado e ao sair da água decidiu comprar um refrigerante, sem os óculos. Ao entrar na ciclovia, sentiu um tropeção sobre seu corpo, de um praticante de cooper. Quase ia soltando um palavrão, quando ouviu um singelo:

- Desculpe.

Tomou um tapinha nas costas, e notou um par de olhos cor de um verde acinzentado. Ao ver o par de olhos, ficou na dúvida se era seu ídolo máximo, uma vez que aquela cor de olhos era raríssima. Tentou observá-lo, fazendo inclusive aquele ridículo buraquinho com as mãos, como uma pequena luneta. Quando o homem do cooper estava a mais de 100 metros de distância, um amigo seu veio lhe falar:

- Cara, o Chico Buarque tropeçou em você!!!

Depois deste dia, e desse infeliz incidente, o menino sempre contou esta história aos conhecidos e amigos, ressaltando que tomou um tapinha nas costas do Chico Buarque. E nunca mais foi à praia sem lentes de contato.

Constrangedor por Raissa Rocha


Entrou no elevador. Ia para o décimo terceiro andar. Eram 3 da madrugada. “Não encontrarei ninguém nesse horário”, pensou. Tinha acabado o plantão e bebido umas cervejas, precisava chegar em casa e usar o banheiro.

Entrou no elevador. Apertou 13, pequena viagem. Assim que fechou a porta, não resistiu: soltou um pum barulhento e fedorento. Iria pagar a penitência daquele pecado, sentindo aquele odor. - "Mas sentirei sozinho", pensou.

Naqueles intermináveis segundos entre o térreo e o décimo terceiro andar, apenas esperava a porta abrir. Ela abriu no sétimo andar. Um casal entrou. Ela morava no sétimo e ele, no décimo quinto. 3 horas da madrugada! Ele ficou desesperado.

Médico conhecido, chefe de emergência de um dos maiores hospitais do Fortaleza, olhou apavorado para aquele casal. Sua reputação no prédio estaria arruinada. Como poderia defender suas posições na reunião do condomínio? Logo diriam:

-O peidão quer falar! O peidão quer defender maior orçamento para a limpeza, mas como defender a limpeza se ele polui o ambiente?

Sentiu-se em uma prisão. O elevador, que seria seu porto seguro, transformou-se em uma cela. Com dois inquisidores a nem sequer encará-lo, olhando um para o outro, dizendo coisas apaixonadas de forma silenciosa."Pura ironia, estão é disfarçando", pensou.
Décimo-segundo andar, escuta o casal falar pela primeira vez:

-Amor?
-Oi.
-Esqueci o descongestionante nasal. Como nós vamos conseguir dormir, se ambos estamos com uma sinusite braba? Temos de voltar para casa e pegá-lo.

Apertam o elevador para o sete. Abre-se a porta no décimo terceiro andar. Alívio. Não sentiram o cheiro. Alívio. Está na porta de casa. Alívio. Alívio. Tanto alívio que não segurou a bexiga, molhando-se inteiro. Mas, tudo bem. Embora tenha que lavar a calça branca, não teve nenhum prejuízo. E decidiu se segurar ao entrar no elevador.

O barulho por Nathália Rangel


No terceiro dia em que dormia no pequeno apartamento de um edifício recém-construído, ouviu os primeiros ruídos. De normal, tinha o sono pesado e mesmo depois de despertar levava tempo para se integrar no novo dia, confundindo restos de sonho com fragmentos da realidade. Por isso não deu de imediato importância à vibração de vidros, atribuindo-a a um pesadelo. A escuridão do aposento contribuía para fortalecer essa frágil certeza. O barulho era intenso. Vinha dos pavimentos superiores e assemelhava-se aos produzidos pelas raspadeiras de assoalho. Acendeu a luz e consultou o relógio: três horas.
Depois que o barulho parou, ele decidiu voltar a dormir. Mas, segundos depois, ele recomeçou. Irritado, Gérion decidiu que ia procurar de onde vinham esses ruídos estranhos. Colocou um roupão por cima do pijama e andou depressa em direção a saída do apartamento enquanto o barulho ficava cada vez mais alto.
Ele abriu a porta, mas ao ver tudo escuro, fechou-a e pensou novamente no que ia fazer. Decidiu telefonar para a portaria do prédio, mas ninguém o atendeu. Queria conhecer algum vizinho para quem pudesse ligar, mas havia acabado de se mudar e só tinha visto algumas pessoas de longe.
Criou coragem, abriu a porta e andou no escuro em direção às escadas do prédio. Sentiu um vento no seu cabelo enquanto procurava o caminho, mas decidiu que era melhor não procurar por janelas abertas, pois ele sabia que poderia não encontrá-las e isso, provavelmente, o faria mudar de prédio no dia seguinte. Ele esperou que tivesse alguém no andar de cima procurando a origem do barulho, mas não havia ninguém. Então decidiu que as pessoas tinham um sono mais pesado que o dele.
Os ruídos aumentavam enquanto ele se aproximava de uma porta antiga de madeira. Pensou em voltar para casa e esperar amanhecer, mas decidiu seguir em frente. Encostou o ouvido na porta, na esperança de ouvir melhor, mas o barulho parou. Algo se movimentou dentro do apartamento. Parecia alguma coisa correndo em direção à porta e ele se afastou num pulo.
Procurou um interruptor que pudesse clarear aquele local, pois a única iluminação eram as luzes da rua que vinham através da janela fechada. Achou o que procurava, mas viu que as luzes estavam queimadas e concluiu que aquele, definitivamente, não era o seu dia de sorte. Olhou novamente no relógio, já eram quatro da manhã.
Ele já estava voltando para seu apartamento quando ouviu arranhões na porta. Aquele som o deixou mais assustado, mas achou que poderia ser alguém querendo sair de lá e, finalmente, bateu na porta do vizinho que, minutos depois, abriu-a e deixou Gérion impressionado, pois ele não esperava se deparar com uma pessoa daquela.
Mesmo com cara de sono, a mulher que abriu a porta era muito bonita. Também estava coberta com um roupão, era morena e alta. Gérion perguntou se ela sabia o que estava acontecendo no apartamento ao lado, mas a mulher, muito educada, informou que um senhor havia saído de lá há dois dias e fora morar em outra cidade. Depois de também ouvir os ruídos, ela achou que seria melhor verificarem o que estava acontecendo ali.
Os dois foram juntos até a portaria, pegaram uma chave reserva e, quando abriram a porta do apartamento, um pequeno cachorro, que parecia cansado e faminto, veio andando na direção deles. Ficaram satisfeitos por terem encontrado o animal vivo, mas com raiva do senhor que o deixou naquele local sozinho. Eles decidiram que iam ficar com o cachorro, que moraria uma semana na casa do homem e outra na casa da mulher. Foi assim por uns dois anos, até que eles decidiram morar juntos e, claro, levaram o cachorrinho.

Dinheiro traz felicidade por Nathália Rangel


Eu estava planejando esta viagem há cinco meses. Meus filhos já estavam com treze anos e nunca haviam andado de avião. Eu e meu marido passamos meses economizando para poder ir ao Rio de Janeiro e visitar o Maracanã, que era o sonho dos meninos
Nós conseguimos uma boa promoção e compramos as passagens mais baratas. Chegando ao Rio de Janeiro, tivemos dificuldade para encontrar um hotel que tivesse um preço acessível, mas acabamos encontrando um em que o dono concordou em nos dar um desconto.
Como nunca tinha viajado para uma cidade tão grande, pois morava no interior e estava acostumada com a vida simples, não levei uma grande quantia para gastar, apenas o necessário para nos alimentarmos pelos cinco dias. O problema é que até os restaurantes tinham um preço absurdo, e tivemos que almoçar em lanchonetes e lugares mais simples.
Meus filhos tinham concordado em não comprar nada durante a viagem e, confiando nisso, não destinei nenhum dinheiro a isso. Porém, no segundo dia, eles já estavam implorando para que eu comprasse camisas de time e bola oficial, chuteiras iguais as dos jogadores, bandeiras do flamengo, etc. Eram coisas que ele nunca tinha visto na nossa pequena cidade e, por isso, também achou que não veria aqui. Devem ter se arrependido da promessa que fizeram de não comprar nada, pois não gostavam quando eu os lembrava dela.
Depois de conhecermos o Maracanã, fomos andar pela praia de Copacabana, afinal, era um lugar lindo e não precisava pagar nada (além das águas de coco e picolés). Mas o passeio acabou saindo mais caro do que qualquer outro. Meus filhos conheceram dois amigos que, diferente de nós, eram ricos e tinham até um campo de futebol oficial em suas casas.
Voltamos da praia ouvindo meus filhos contar tudo o que esses garotos tinham e como eles podiam se divertir até em suas próprias casas. Eu nunca achei que dinheiro trouxesse felicidade, mas essa viagem estava mudando meus conceitos. Pensei que, com dinheiro, estaríamos hospedados em um hotel maravilhoso, comendo nos melhores restaurantes, poderia ter comprado alguns presentes para mim, meu marido e meus filhos. E, a melhor parte é que eu teria aproveitado toda a viagem sem preocupações, pois já tenho que voltar para casa e nem lembro direito do que vi, além de não ter batido fotos por falta de máquina fotográfica.

O príncipe do shopping por Isadora Paz


Tiago aproxima-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas importa voz e diz com pose de galã:
- A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?
Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:
- Sim, o meu namorado, um príncipe!
Quando Tiago ouviu a resposta da menina ficou muito envergonhado e sem palavras. Por isso, se afastou da menina e foi procurar um lugar para sentar-se. A garota começou a rir do que havia acontecido, mas depois de um tempo ficou chateada, pois na verdade ela não possuía um namorado.
No dia seguinte, Tiago foi novamente ao shopping e encontrou a mesma menina, sentada no mesmo banco. Resolveu então ficar observando-a, queria descobrir quem era o namorado dela, e saber se ele era um príncipe realmente. Porém, ninguém se aproximou da garota. Ele pensou em ir conversar com a garota, mas teve medo da reação dela, por isso não foi.
Na semana seguinte, Tiago foi novamente ao shopping, e coincidentemente a garota também estava lá. Então Tiago decidiu que ia sentar ao lado dela. Quando sentou-se, a menina ficou assustada, mas continuou ao lado dele. Tiago descobriu que o nome dela era Juliana, e ela realmente não possuía um namorado. Tiago então perguntou-a:
- Você quer ser minha namorada?
E ela respondeu:
- Só se você vier segunda-feira ao shopping vestido de príncipe e me fizer esse mesmo pedido.
Tiago aceitou a condição. Na segunda-feira, foi ao shopping vestido de príncipe e pediu Juliana em namoro. Ela aceitou, e finalmente encontrou seu príncipe.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Conto por Sarah Thiers


Ele estava junto à parede dos fundos de um supermercado. Virei a esquina e me deparei com ele. Fazia sol naquela manhã, pois muitos têm sido os dias de sol. Mas, como era ainda bem cedo e a cidade mal despertava, o sol esbranquiçado e preguiçoso lançava sobre a calçada uma luz tímida, oblíqua. Seus raios, depois de esgueirar-se por entre os prédios ainda envoltos pelas últimas sombras, incidiam sobre o chão apenas num determinado ponto. E o facho de luz, reticulado pelos grãos de poeira em suspensão, derramava-se sobre as pedras portuguesas com um toque quase sobrenatural – como um raio de anunciação.
Pois era bem ali – no trecho da calçada banhado por aquele sol primeiro – que ele, o anjo, se encontrava.
Tomei um susto, mas ele logo me acalmou dizendo:
- Não tema, estou aqui para fazer uma missão, e você foi escolhida para me ajudar nela.
- Como assim seu anjo? Eu? Eu não sei fazer nada dessas coisas não, acho que você veio pra pessoa errada.
- Nada disso, estou certo de que é você Lara.
- Ei cara, como é que você sabe o meu nome?
- Sou o anjo protetor de uma amiga sua, a Laura, e ela precisa de mim.
- Arram, eu? Amiga da Laura? É, você veio realmente da Lara errada, eu não suporto aquela garota!
- A Laura precisa de você Lara, sei que foram grandes amigas, e hoje não se dão muito certo, mas é da sua amizade que ela precisa de volta.
- Por que ela precisaria de mim? Não falo com ela há quase um ano, e ela tem aquelas amigas nojentas dela.
- Por isso mesmo, ela sente a sua falta, já tentou falar com contigo, mas você não deu oportunidade, sempre a ignorou. Lara, você é a única amiga verdadeira que ela sempre teve, e ela só lhe quer de volta.
- Como é que você sabe disso? E como é que eu vou saber se é verdade ou não?
- Porque ela chora todas as noites com saudade de você, e você acha que eu estou mentindo? Acha que eu vim aqui na terra falar alguma coisa a você se não fosse verdade?
- Sei lá, espero que seja viu? Porque como a casa dela é aqui perto, eu vou lá, só pra ver o que ela tanto quer falar comigo, mas se não for, seu anjo, tu ta é lascado!
- Confie em mim, é a mais pura verdade.
No momento em que eu me virei para olhar para trás de mim, e voltei a olhar pra onde eu estava olhando, não havia mais ninguém ali.
Depois, fui até a casa de Laura e ouvir o que ela tinha pra me dizer.
O anjo estava realmente certo, conversamos, e fizemos as pazes, hoje não nos separamos por nada, tudo graças ao anjo da guarda de Laura.

Conto de fadas por Sarah Thiers


Era uma vez, há muitos anos atrás, nasceu uma linda princesa de Portugal, chamada Amélia. Mas, a garotinha não sabia que era princesa, pois seu pai era rei e sua mãe uma criada.
Amélia crescia entre os criados do castelo, e era a melhor amiga do príncipe Raul, seu irmão por parte de pai.
O tempo passava e os dois ficavam cada vez mais próximos, e um lindo sentimento foi se formando entre eles.
O rei Joaquim fazia de tudo para que Raul e Amélia se distanciassem para que esse sentimento acabasse, até porque eles eram irmãos.
Certo dia, Raul teve de viajar para conhecer a princesa Thaís, que lhe fora prometida para se casarem dois meses depois, e Amélia ficou sozinha, magoada e desamparada. E foi nesse momento que ela conheceu Augusto, um garoto lindo, humilde e também filho de uma criada. Foi amor à primeira vista, se amavam incondicionalmente, e resolveram se casar.
No dia do casamento de Amélia e Augusto, o rei revelou a todo o povoado que além de Raul, Amélia também era herdeira do trono de Portugal, foi um susto de modo geral, principalmente, para a arainha Cecília, mas ela teve de aceitar.
Thaís teve gêmeos com Raul, e Amélia teve três filhos com Augusto.
O reino foi governado pelos irmãos e melhores amigos Amélia e Raul.
E foram todos felizes para sempre!

Missão por Tatiana Façanha



Lauro desceu do ônibus perto de casa e logo percebeu algo estranho. As pessoas andavam rapidamente, falando baixo, como se tivessem medo.
No bar da esquina ele entrou à procura de um conhecido; como não havia nenhum, Lauro sentou em um banco próximo ao dono do bar e pediu uma cerveja.
- Você sabe o que aconteceu?- Perguntou Lauro ao dono do bar.
O dono olhou para os lados, o bar estava praticamente vazio, os outros clientes estavam sentados em uma mesa distante. Depois, ele encarou Lauro, desconfiado, falou:
- Os PM´s estão rondando.
- Como assim?- Lauro perguntou surpreso.
- Não sabemos, eles estão muito bem armados, tentando não parecer da polícia, mas todos notaram. - O dono do bar sussurrou arregalando os olhos. Suas mãos tremiam levemente, assim como o copo que ele tentava enxugar. – É melhor você ir logo para casa, talvez aconteça algo ruim.
Lauro pagou pela cerveja, levantou-se, mas, jogou-se no chão ao ouvir disparos vindos da rua.
- Quantos foram? – Perguntou o dono do bar do outro lado do balcão.
- Cinco tiros. – Respondeu Lauro, que tentava olhar para a entrada do bar.
- Tem certeza? Pareceram mais. – O dono falou enquanto rastejava para ficar mais perto de Lauro.
- É, tenho certeza. – Lauro respondeu irritado por não ter um bom ângulo para ver. – Vocês estão bem?
- Sim e vocês? – Os homens que estiveram sentados do outro lado falaram.
- Estamos bem. Conseguiram ver? – Perguntou o dono do bar.
- Sim, um policial brincando de pegador. – Respondeu um dos homens.
- Brincando de pegador? – Perguntaram Lauro e o dono ao mesmo tempo.
- É, tentou se sobressair entre os outros e estragou a missão. – Um dos homens explicou e percebendo que eles não compreendiam, explicou. – Parece que um bandido perigoso fugiu hoje.
- Hoje? E por qual motivo estaria aqui?- Perguntou Lauro.
- Cedinho. Ele tem amigos morando por aqui. – Respondeu o homem. Ele olhava para fora e parecia mais calmo. – Podemos levantar, ele fugiu novamente.
Lauro, o dono do bar e os dois homens levantaram, olharam para a rua onde os policiais estavam reunidos.
- Obrigado, mas como vocês sabem tanto? – Perguntou Lauro encarando os homens.
- Somos policiais, estamos na missão. – Respondeu um enquanto seguia o outro até os policiais à paisana.

Santíssima Trinidad por Lucas Tursi



O suor escorria pelo rosto de Gonzàlez. Estava num porão úmido e imundo de um navio inglês e tinha plena consciência de como sua situação era delicada. Era o único sobrevivente de um ataque pirata ao seu navio, o Santíssima Trinidad. Estavam navegando de volta à Europa após dois anos de comércio com o Novo Mundo, quando, numa noite, em meio à névoa ele escutara a reverberação da canhoneada súbita vinda de vários navios. De repente, o galeão em que ele estava começou a sacudir violentamente, e o ar encheu-se de gritos de pessoas feridas. Pelos sons, os disparos vinham de pelo menos três direções diferentes.

Forçando a vista, ele pôde distinguir que um dos navios agressores era bem grande, com pelo menos duas fileiras de canhões, pesando no mínimo 60 toneladas. Ora, mas o Santíssima Trinidad era uma belonave gigantesca, relativamente nova para o padrão dos navios de batalha existentes e possuía três fileiras de canhões em cada banda, junto com mais oito canhões para defesa de proa e de popa, totalizando 100 canhões no total. Mas o problema era que não havia boa visibilidade. Mesmo assim, o barco espanhol atirou como pôde, e pelos sons que chagavam através da névoa, percebia-se que pelo menos alguns disparos haviam atingido um dos alvos.

Mas após quarenta minutos de batalha, sem poder fugir, o Santíssima Trinidad rendeu-se. Em chamas, com quase toda a tripulação morta ou ferida de algum modo, não havia esperança de vencer. Para poupar vidas, o capitão ordenou que os grumetes hasteassem a bandeira branca. Eles já haviam saído da neblina há muitos minutos, mas as balas de canhão já haviam começado a cobrar seu preço, e havia inimigos demais para travar-se uma luta decente.

Após serem todos presos e acorrentados, viram que seu inimigo era ninguém mais do que sir Drake, o corsário, que a mando da infame rainha Elizabeth pilhava e roubava os mares, dando metade dos lucros para o Império Britânico. Havia também mais dois lordes ingleses com ele para dar apoio político embora os quais ele não pôde reconhecer.

Foram todos mandados para os porões do navio, onde um quinto dos 35 prisioneiros morreu logo após a batalha, e mais alguns nas outras 3 semanas que se seguiram, devido às doenças. A comida e a água eram horríveis e o porão era muito sujo. Após isso, o capitão, que havia sobrevivido, começou a imaginar um plano para assumirem o controle do navio.

Viva a vida por Janine



Lá estava eu, pronta para comprar mais uma emocionante edição da revista Vogue, na banca bem em frente à minha casa, quando percebi um menino e seu avô que discutiam sobre o tema de uma das revistas ali expostas: “Vivendo a vida.”
O senhor, muito empolgado, falava sobre a importância do zelo para com a saúde, sobre como era importante a valorização de certos sentimentos, como amor e amizade, e, em certo ponto da conversa, observei que seu olhar tornara-se mais terno, e sua voz menos firme. Agora, começava a falar de como a avó do menino aproveitara a vida plenamente, e vivera cada dia como se fosse o último.
Subitamente, o menino pegou a mão do avô, enrugada pelo tempo, e, ternamente, lhe falou: “Vovô, ela viveu a vida. Isso é o que realmente importa.” O avô sorriu, pegou a mão do neto, e os dois saíram da banca, como pude observar.
Comprei minha revista e, no caminho para casa, pus-me a refletir. Como fazer com que minha vida valha a pena? Como fazer para que, um dia, quando eu mesma estiver com meu neto em uma banca de revista, possa ensinar-lhe a fórmula ideal para aproveitar cada segundo plenamente?
O sol já ia embora. Foi aí que percebi, por fim, que estava ficando mais velha. E que, pensando a respeito disso, fazia de minha vida algo que valesse a pena.

O fim? por Thaís Lopes


No canto da praça, enquanto a banda toca no palco instalado para o carnaval, vejo um casal. Ele com um ar de quem se desculpa. Ela com certo toque de desespero.
Pergunto-me sobre o que conversam. Comento com a minha prima. Que estranho ver um casal tão sério em meio a tantos que cantam, dançam e jogam uns nos outros aquela espuma detestável.
Ele pega as mãos dela e olha em seus olhos. Ela desvia o olhar, olhando para o chão. A curiosidade me assalta de novo. Que será que discutiam com tanta intensidade em meio a essa desmedida folia? Será que vão terminar tudo em pleno carnaval.
Ele diz algo e consegue lhe arrancar um sorriso. Mas ela logo volta a sua expressão desconsolada. Ele tenta argumentar, mas não surte efeito. A moça começa a se exaltar. Ele continua falando-lhe calmamente.
Ele tenta abraça-la, ela hesita, mas acaba cedendo. Ele lhe dá um beijo no rosto e se vira para partir, parecendo abatido e pensativo. Ela o vê partir melancolicamente, depois passa a encarar o chão. Também eu me sinto triste por aquele inesperado fim. E me bate a curiosidade de saber por que terminaram.
De repente ele para, e se volta para ela novamente. Anda até onde ela está, levanta seu rosto com um dedo e lhe sorri. Ele diz algo em seu ouvido. Ela faz uma cara de surpresa e lhe faz uma pergunta. Ele faz que sim com a cabeça, sorrindo.
Ela abre um radiante sorriso, pula em seus braços e eles se beijam. Não consigo conter um sorriso ao vê-los tão felizes, finalmente. Ele lhe beija o rosto e saem, um para cada lado. Apenas mais uma história de amor de carnaval. Pelo visto essa teve um final feliz.

Conto por Liane Bastos


Eu estava na minha casa na Inglaterra e de repente chegou um homem gordo, com cara de malandro, dizendo que queria fazer uma pesquisa com a minha família. Nós aceitamos.
No dia seguinte, chegou em nossa casa um envelope com muito dinheiro. Ficamos super felizes com aquele acontecimento, mas nós guardamos boa parte daquele dinheiro e não tornamos nossa vida diferente por causa disso e ao decorrer do tempo foi chegando cada vez mais dinheiro.
Depois de dois anos, aquele homem retornou à nossa casa dizendo que a pesquisa havia chegado ao fim. A partir de então, nós não iríamos mais ganhar o dinheiro. Nós na hora ficamos tristes, mas depois lembramos que nosso dinheiro estava aplicado e percebemos que o dinheiro só traz felicidade se você souber administrá-lo.

Conto por Fernanda Vasconcelos



Cláudia era uma princesa que ainda não tinha encontrado o seu príncipe encantado. Seu pai já tinha feito vários bailes para ajudar a filha a encontrar um marido, mas Cláudia nunca se interessava por alguém.

Triste por ainda não ter encontrado um marido, Cláudia foi chorar na torre mais alta do seu castelo, de onde podia ver todo o seu reino. Era o seu lugar preferido do castelo.

Encostada na janela, ela viu algo brilhando lá embaixo e, como se debruçou demais para ver o que era, acabou caindo. Um cavalheiro, que passava debaixo da sua janela todos os dias, admirando a princesa, segurou-a e levou-a de volta para o castelo.

Quando acordou, Cláudia viu aquele belo rapaz e logo se apaixonou. O pai de Cláudia, grato pelo rapaz ter salvado a vida de sua filha, deu a mão de Cláudia em casamento ao cavaleiro.

Cláudia ficou muito feliz com o casamento e por ter encontrado um grande amor.

Conto por Fernanda Vasconcelos


Dois amigos estavam conversando em uma praça quando encontraram outro amigo que era policial e que perguntou para eles:

- Vocês ficaram sabendo que o Carlos, nosso amigo de colégio morreu?

- Como? – perguntou um dos amigos.

- Levou cinco tiros. – O policial respondeu.

- É. – Disse o outro amigo. – Eu ouvi falaram sobre isso, parece que foi um policial que atirou.

- E como foi que isso acontece? Eles estavam brincando de pegador? – Ironizou um dos amigos, revoltado com o fato de um policial ter matado um cidadão tão pacato como Carlos.

- É. O PM pensou que Carlos fosse o homem que assaltou o mercadinho do Jorge hoje de manhã porque ele estava com a mesma roupa do assaltante e como Carlos reagiu à prisão, acabou sendo baleado. – Explicou o policial.

- Hoje? – Disse um dos amigos.

- Cedinho. – Respondeu o outro.

Chocado com o acontecido, o amigo que tinha acabado de saber da morte de Carlos, foi correndo para o velório se despedir do amigo.

Príncipe por Fernanda Vasconcelos


Tiago aproxima-se devagarzinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregá-la um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

- A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

- Sim, o meu namorado, um príncipe encantado!

Tiago, um rapaz muito bonito diz:

- Então ele acabou de chegar!

A menina responde com um sorriso tímido ao se dar conta da beleza do rapaz e então ele pergunta:

- Posso me sentar aqui, ao seu lado?

A menina deixa e então eles começam a conversar. Tiago estava adorando conhecer aquela menina adorável e ela estava encantada com a simpatia daquele garoto.

O tempo estava passando muito rápido e já chegava a hora deles se despedirem, então decidiram marcar um encontro no mesmo lugar no dia seguinte.

No segundo dia, a conversa foi tão boa quanto no primeiro, então eles passaram a se encontrar naquele local diariamente, até que perceberam que estavam apaixonados e começaram a namorar.

Dentista por Fernanda Vasconcelos


Júlia era uma dentista e estava no seu trabalho quando foi até a sala de espera e se deparou com um homem acompanhado de um macaco. Chamou-o, pois era a sua vez de ser atendido.

O homem entrou no consultório com o macaco, então Júlia disse:

- Desculpe senhor, mas não é permitida a entrada com animais no consultório.

O homem então explicou para a doutora que estava ensinando o macaco a se comunicar e que o macaco tinha feito gestos mostrando que estava com problemas nos seus dentes, por isso tinha trago o macaco para se consultar com a dentista.

A dentista cuidou do macaco e, como achou a história muito interessante, pediu para o seu marido, que era repórter, que fizesse uma reportagem sobre o acontecido.

Ao chegar perto da jaula do animal, o repórter foi devorado e então os homens do zoológico descobriram porque o macaco estava tão magro.

O príncipe de Tauá por Renan Lemos


Era uma vez, em uma terra muito distante, quase inabitável e assusta-doramente quente, havia um príncipe chamado Osteval; ele era rico e desejado por todas as garotas da Vila Tauá.

Osteval não era um dos príncipes mais bonitos que podia ter e era dono de uma pastagem imensa de gado, todos da vila só se alimentavam de seus bovinos.

O príncipe era muito desconfiado e orgulhoso, tinha muito ciúmes de suas vacas e bois e ele mesmo os rebanhava; depois disso, passava o dia sentado em sua poltrona, vendo a fila de mulheres que se ofereciam para ele, mesmo sendo Osteval tão magro, feio e cheio de espinhas.

Até que um dia Osteval se apaixonou loucamente por Jacinta, uma faxineira novata, morena, simpática e bem bonitinha, porém vivia triste por o fato de ter terminado com seu ex-namorado, o Ricardão, pelo fato dele não poder sustenta-lá.

O tempo foi passando, até que um dia Osteval aproveitou um momento de fragilidade de Jacinta e iniciou um romance com ela.

Chegou um dia em que Osteval amava tanto Jacinta que a revelou onde era o bebedouro de seu gado, e enquanto seus bovinos bebiam água o casal namorava debaixo de um robusto pé de acerola e lá “desenvolveram” seu amor.

Osteval acordou tarde no outro dia, cansado do movimento do dia anterior, e quando foi procurar Jacinta, ele não a encontrou, então ele resolveu ir ver seu gado e para sua segunda surpresa ele não encontrou!

Jacinta havia fugido com Ricardão e todo o gado para uma nova terra, e esses sim viveram felizes para sempre; agora ela tinha como ser sustentada.



MORAL DA HISTÓRIA: a vida é como uma rapadura é doce, mas é dura!

Bela Adormecida por Lígia Antunes


Na festa do batismo da filha do lampião, foram convidados 7 compadres e como padrinhos desta ofereceram-lhe, entre outros, beleza, sucesso, inteligência. No entanto, um velho compadre que foi negligenciado interrompeu o evento e lançou-lhe como vingança uma praga cujo resultado seria, ao comer um certo tipo de fruta que ele era responsável pela produção na região, a morte quando a garotinha atingisse a idade adulta. Porém, restava o presente do 7 compadre. Então, este suavizou a morte, transformando a praga da princesa para cem anos a dormir, até que seja despertada pelo primeiro beijo oriundo de um amor verdadeiro.
O lampião proibiu imediatamente qualquer tipo de produção de frutas em toda a vila, mas em vão. Quando a filha do lampião completou 15 anos, descobriu uma sala escondida no fundo de uma casa onde encontrou uma velha a vender muitas frutas que ela não conhecia. Curiosa com as comida, pediu para a velha deixá-la experimentar uma de cada. Comeu e sentiu então o grande sono que lhe foi destinado e ao adormecer, todas as pessoas presentes na vila adormeceram juntamente, sob o novo feitiço do 7 compadre que tinha voltado. Com o tempo, cresceu uma floresta de urzes em torno da vila adormecida, isolando-a do mundo exterior e dando uma morte fatal e dolorosa nos espinhos a quem tentasse entrar. Assim muitos lampiões morreram em busca da tal Bela Adormecida cuja beleza era tão falada.
Após cem anos decorridos, um lampião corajoso enfrentou a floresta de espinhos, mesmo sabendo da morte de outros tantos, e conseguiu entrar na vila. Quando encontrou o quarto onde a menina dormia, estremeceu de tal maneira ao ver a sua beleza, que caiu de joelhos diante o seu leito. Ele beijou-a e ela acordou finalmente. Então todos na vila acordaram e continuaram onde haviam parado há cem anos atrás. Fizeram uma linda quermesse com muitas comidas típicas e prendas.

Conto por Luanna Andrade


No terceiro dia em que dormia no pequeno apartamento de um edifício recém-construído, ouviu os primeiros ruídos. De normal, tinha o sono pesado e mesmo depois de despertar levava tempo para se integrar no novo dia, confundindo restos de sonho com fragmentos da realidade. Por isso não deu de imediato importância à vibração de vidros, atribuindo-a a um pesadelo. A escuridão do aposento contribuía para fortalecer essa frágil certeza. O barulho era intenso. Vinha dos pavimentos superiores e assemelhava-se aos produzidos pelas raspadeiras de assoalho. Acendeu a luz e consultou o relógio: três horas. Achou estranho. As normas do condomínio não permitiam trabalho dessa natureza em plena madrugada. Mas a máquina prosseguia na impiedosa tarefa, os sons se avolumando, e crescendo a irritação de Gérion contra a companhia imobiliária que lhe garantira ser excelente a administração do prédio. De repente emudeceram os ruídos.

Gérion ficou intrigado e tendo perdido o sono, foi até a cozinha beber um copo d'água. Ao chegar lá, viu uma rachadura no piso que vinha da área de serviço. Ficou logo furioso, pois pensou que a tal obra estava afetando seu apartamento. Mas, quando chegou mais perto para observar, viu minúsculas luzes pelo buraco e ouvia vozes que mais pareciam chiados, de tão baixas e agudas que eram. Ele desconfiou que fossem os operários ou algo assim, mas ao se aproximar mais um pouco, viu gnomos. Sim, aqueles que vemos em desenhos, nos jardins... Eles estavam embaixo do chão da cozinha de Gérion. Ele estava estarrecido vendo aqueles seres carregando pequenos carrinhos carrinhos cheios de pepitas, esbravejando uns com os outros.
Aparentemente, o prédio havia sido construído sobre uma mina de ouro e aqueles gnomos estavam trabalhando intensamente para salvar as pedrinhas. Gérion não podia acreditar no que seus olhos viam, tentou chamá-los, mas eles falavam um idioma diferente, algo que ele nunca havia escutado. Até pensou em pegar um pouco desse ouro para ele, mas achou que estava mesmo era com muito sono, só podia estar imaginando isso tudo. Bebeu mais um copo d'água e voltou para a cama, esperando um sonho menos maluco dessa vez.

A Bela Adormecida por Thaís Lopes


A esposa do Coronel Estevão, rico fazendeiro da região do Cariri, teve sua primeira filha, Aurora, depois de muitas tentativas. Para celebrar o acontecimento, foi organizada uma grande festa, para a qual foram convidadas pessoas de toda a região.

Na festa, o Coronel Estevão e o Coronel Humberto, dono da fazenda vizinha, combinaram o casamento de seus filhos, Aurora e Felipe. E todo o povo se fartou e dançou até o cair da noite.

Quando surgiu no céu a lua, eis que chega a irmã do Coronel Estevão, Malvina. Depois de ser abandonada pelo marido e rejeitada pela família, Malvina começou a se envolver com bruxarias. E, para se vingar do irmão que não a convidara para a festa, Malvina jogou uma praga para que Aurora morresse em seu 16º aniversário, envenenada com pó de espinho de xiquexique.

O Coronel Estevão mandou cortarem e queimarem todos os xiquexiques da região e mandou Aurora para morar em segredo com Flora, prima de sua mãe, na capital. E lá ela viveu em paz.

Na véspera de seu 16º aniversario, em um passeio pelo centro, Aurora conheceu Felipe e eles se apaixonaram, sem saber que estavam prometidos em casamento. Prima Flora proibiu Aurora de ver o rapaz que havia conhecido, pois ela tinha que voltar para casa e casar-se com seu noivo, por estar completando dezesseis anos.

Durante a viagem de volta, no dia do aniversário de Aurora, ela e Prima Flora pararam para almoçar em um restaurante no caminho, onde Malvina estava escondida. Ela envenenou o caldo de cana de Aurora, que, ao invés de morrer, desmaiou, pois o caldo de cana dissolveu o veneno. Malvina, frustrada pelo triste fim de seu plano, envenenou sua própria comida e morreu.

Prima Flora, desolada, levou Aurora desacordada até a fazenda dos pais. Eles achavam que ela estava morta, e ficaram muito tristes. Felipe, no entanto, reconhecendo a moça de seu encontro no centro de Fortaleza, deu-lhe um beijo nos lábios, despertando-a do desmaio. Eles casaram-se e viveram felizes para sempre.

Quem conta um ponto aumenta um ponto por Amanda Alencar


Em um dia ensolarado Juninho resolveu fazer um jogo de futebol em sua casa. Convidou todos os seus amigos do colégio e foi para casa muito animado. Quando deu 15h, hora do jogo, os amigos começaram a chegar e um pouco depois começaram a emocionante partida.
Estava tudo indo muito bem até a hora em que João caiu e torceu o braço. João ficou no banco de reserva, mas o jogo continuou. Mais tarde, quando todos foram embora, Juninho contou para a mãe que seu amigo havia quebrado o braço e ela ficou impressionada. A mãe de Juninho foi para o mercantil no outro dia e ao encontrar uma amiga, disse que João havia tido uma fratura exposta em um dos braços. A amiga, impressionada, contou ao marido ao chegar em casa que um amigo de seu filho Pedro (que estudava com João) tinha caído no jogo e teve que amputar o braço.
No dia seguinte, no café da manhã, o pai de Pedro comentou com seu filho sobre o amigo, perguntando se ele estaria bem. Então Pedro perguntou:
- Está bem pai, por que a pergunta?
- Porque meu filho, ontem sua mãe chegou comentando sobre o que ocorreu com o braço do Joãozinho no jogo de futebol, fiquei com muita pena dele.
- Ah pai, ele está ótimo... Até foi para aula ontem.
- Nossa! Ele amputou o braço e já se recuperou? Esse menino é muito forte meu filho!
- O que pai?! Amputou o braço? O senhor só pode estar maluco! Ele só torceu o braço, mas já foi no médico e está tudo bem!
- Sério? Nossa como as pessoas aumentam as coisas hein meu filho! É impressionante...
Que bom que ele está bem, e com essa confusão podemos tirar de lição que aumentar a estória só causa confusão!
- É verdade pai, nunca achei que poderia se tornar uma coisa tão seria!
Após o diálogo, Pedro foi para o colégio e contou a conversa que tivera com o pai de manhã, e concluiu que só repassaria uma história ao ter certeza do que estava dizendo.

Conto por Amanda Alencar


Cacilda era filha de um fazendeiro rico, que faleceu quando ela ainda era muito jovem. Foi então criada por sua madrasta malvada, que junto de suas duas filhas, transformaram-na em sua serviçal. Cacilda tinha de fazer todos os serviços domésticos e ainda era alvo de deboches e malvadezas. Seu refúgio era no curral da fazenda e seus únicos amigos eram os animais da fazenda.
Um belo dia, é anunciado que o fazendeiro mais rico da região irá realizar uma quermesse para que o seu filho, um ótimo cangaceiro, escolha sua maria bonita dentre todas as moças do sertão. O convite foi repassado pelas pessoas através da fala, e qualquer moça poderia ser escolhida.
A madrasta de Cacilda sabia que ela era a mais bonita do sertão, então disse que ela não poderia ir, pois não tinha um vestido apropriado para a ocasião. Cacilda então costurou um belo vestido feito de retalhos, com a ajuda de seus amigos da fazenda. A madrasta e suas fillhas, notando que o vestido de Cacilda era muito bonito, rasgaram-no para ela nao poder ir.
Cacilda ficou muito triste e foi chorar no curral, e fez uma prece à Nossa Senhora de Aparecida. De repente, Nossa Senhora apareceu e fez um milagre para Cacilda, juntou os retalhos de seu tecido e o transformou em um novo, mas disse para ela voltar antes de meia-noite, pois o milagre só duraria até esse horário
Cacilda chegou muito bonita na quermesse e o cangaceiro logo chamou-a para dançar quadrilha e se apaixonou por ela. Perto de meia-noite, ela saiu correndo e deixou uma de suas rasteiras cair.
O cangaceiro foi atrás da dona da rasteira em todo o sertão, e ao chegar na casa de Cacilda, sua madrasta não queria deixá-la falar com ele. Suas filhas tentaram calçar a sandália, mas não conseguiram. Quando ele já estava indo embora, Cacilda apareceu e ele a reconheceu.
Pediu sua mão em casamento e eles fizeram uma celebração religiosa no quintal de sua enorme fazenda. Cacilda tornou-se maria bonita após o casamento e foi feliz para sempre com seu cangaceiro.