segunda-feira, 10 de maio de 2010

“Chaperzinho Vermeio” por Juliana Ribeiro


Lúcia era uma menina muito bonita que morava no sertão nordestino, numa vila muito pequena e isolada, que tinha a característica fala incorreta. Entretanto, a menina era muito amada, e vivia por aí com um capuz vermelho, tendo sido apelidada de “Chaperzinho Vermeio”.

-Pela istrada afora, eu vou bem sozinha... (Pela estrada afora, eu vou bem sozinha)- cantarolava a menina, indo visitar sua avó- ai, que dia bão pra i visitá a vó... Mas eu tenho di tomá cuidado, o os lobo me pega de jeito!(Ai, que dia bom para visitar a vovó... Mas eu tenho de tomar cuidado, ou os lobos vão me pegar de jeito!)

Foi quando Chaperzinho Vermeio encontrou um lobo.

-Pronde tu vai?(Para onde você vai)

-Pra casa di minha avó. Ela ta doente, e eu fiz esse doce de caju pra ela. Ela mora lá perto do sítio do Nhô Bento.(Para a casa da minha avó. Ela está doente, e eu fiz esse doce de caju para ela. Ela mora perto do sítio do Senhor Bento)

-Ara, pois eu também soube da doença di tua avó e tava indo visitá ela agorinha mermo!(Ora, pois eu também soube da doença da sua avó e estava indo visitá-la agorinha mesmo!)- o lobo mentiu- vamu vê quem chega mais rápido na casa dela?(Vamos ver quem chega mais rápido na casa dela?)

A menina aceitou a corrida, mas o lobo era bem rápido. Chegou logo à casa da avó e a comeu, assumindo seu lugar para esperar Lucia.

Esta chegou alegre, achando que havia vencido a corrida. Pediu a bênção da avó e sentou-se ao lado dela. Mas, conforme se aproximou, viu que a velha estava um tanto diferente.

-Vó, pra mó di que que tu tem uns zoio tão grandi?(Vovó, por que você tem estes olhos tão grandes?)

-É pra mó di eu ti vê mio.(É para te ver melhor)

-E pra mó di que qui tu tem esse nariz tão grandi?(E por que tens este nariz tão grante?)

-É pra mó di eu ti cheirar mio.(É para te cheirar melhor)

-E pra mó di que essa boca tão grandi?(E para que esta boca tão grande?)

-É pra mó di eu ti cume mió!(É para eu te comer melhor!)

E dizendo isso, devorou a menina.

Para sentir seu leve peso por Juliana Ribeiro


Tão convicta estava de que não deveria abrir a caixinha, a menina só abria uma mísera frestinha da tampa para jogar algum alpiste para a ave.

Mas também era difícil resistir à tentação. Lembrava-se de que o rouxinol era muito bonito que cantava muito bem.

Aliás fazia tempo que a ave não cantava. A menina pensou que, devido ao escuro da caixinha, o bichinho vivia dormindo, pensando que era noite.

Certo dia, não resistiu e abriu a caixa para acordar o rouxinol. Tentou empoleirá-lo no dedo, mas a ave estava dura feito pedra e fria feito gelo.

O príncipe por Juliana Ribeiro


Tiago aproximou-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

-A senhorita, com ar solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

-Sim, o meu namorado, um príncipe!

O rapaz se afastou. Para ele ficara claro que a menina ou não queria conversa, ou não era boa do juízo. Ficou apenas observando a tal namorada do príncipe.

Minutos se passaram e a garota continuou sozinha. “Bem feito” pensou “quem mandou me dar um fora?”.

Foi quando um rapaz aproximou-se dela. “Outro palerma dando em cima dela... Sai dessa, filho!” ele quase falou, imaginando que o outro fosse levar também um fora. Mas, em vez disso, ela o beijou.

Tiago ficou olhando, pasmo. Então aquele era o tal príncipe? Resolveu olhar mais de perto.

Espera. Não era aquele o Robert Pattinson?

A dentadura por Juliana Ribeiro


Havia anos que o policial trabalhava no ramo. Décadas, talvez. No entanto, nunca em sua carreira havia visto uma cena de crime como aquela.

A olhos leigos, o apartamento estava em perfeito estado. So depois de um autêntico inventário dos bens do proprietário que era possível visualizar que alguma coisa fora subtraída daquele ambiente aparentemente imaculado.

Sem deixar digitais ou fios de cabelo, o gatuno deixara a cena do crime sem sequer ser visto pelos vizinhos. O crime perfeito, pensava o policial.

Eis que dá um passo e chuta um pequeno objeto, que vai de encontro à parede. Com medo de ter alterado a localização de algo que pudesse vir a invalidar o trabalho dos detetives – embora seu progresso até o momento tivesse sido mínimo –, tratou de ir descobrir do que se tratava.

No canto da parede, tão discreta que não a teria percebido se não estivesse olhando diretamente para ela, havia uma dentadura. Sem Dúvidas, o objeto mais inesperado para se encontrar no chão da cena de um crime. Pergunta ao dono do apartamento se os dentes postiços eram dele, de algum amigo ou parente. Não eram. Os detetives, no entanto, interessaram-se bastante pelo artefato.

Dias depois, um suspeito do crime berrava ao júri, as gengivas sem dentes a mostra, que era inocente.

Me dê o seu, e seja feliz! por Laís Linhares


Dinheiro. Tudo, ou quase tudo, gira em torno dele. Sua falta gera miséria e assaltos. Seu excesso gera descontrole, e sua busca, corrupção. Porém, a questão é: Dinheiro traz ou não a tão sonhada felicidade?

Falando nisso, contarei a vocês uma história, que talvez esclareça essa questão. Certo dia, um ambientalista amigo meu estava fazendo uma campanha que o grande mal da população era o dinheiro, e que sua busca e aplicação destruía cada vez mais o meio ambiente. O ambientalista pedia para os membros da campanha para que doassem uma parte do dinheiro de cada um para dar para outras instituições do meio ambiente. Dito e feito. E meu amigo ficou com o bolso recheado de dinheiro e de uma forma bem estranha, que até hoje ainda não desvendei, ele fugiu para um lugar desconhecido e bem longe, com o todo o dinheiro arrecadado, e por lá decidiu abdicar sua vocação, inebriado pelos efeitos do dinheiro, decidiu morar lá. Com toda a felicidade e com todo o dinheiro do povo.

Será mesmo que dinheiro não traz felicidade? Na dúvida, me dê o seu e seja feliz!

Cada um com seu patrimônio por Laís Linhares.


Antiguidade. Sinônimo de relíquia, que é sinônimo de preciosidade, que por sua vez, é sinônimo de roubo. E foi isso que aconteceu com a famoso pedra Roseta, que originalmente pertencia ao Egito, porém foi capturada pelos ingleses e exposta no museu britânico.

Então, diante dessa injustiça, os egípcios estavam dispostos a qualquer coisa para recuperar a pedra. E foi na madrugada do sábado passado, depois de dois séculos de inércia pela parte egípcia e depois de uma carta frustrada, que não adiantou de nada, finalmente a recuperação foi feita de maneira sorrateira, silenciosa e um tanto audaciosa. Os egípcios revoltados entraram no museu britânico, pegaram a pedra em questão de segundos, e sem deixar resquícios de que eles estiveram lá, pois de uma forma desconhecida conseguiram desativar todos os alarmes e depois voltaram ao Egito.

Porém, na manhã seguinte ao roubo, ao levantarem o pano que cobria a suposta pedra no museu, eles encontraram no lugar da relíquia, nada mais e nada menos que um hambúrguer do Mc Donalds, o mais famoso fast food britânico. E isso com certeza foi uma forma de ironizar a injustiça britânica.

Depois dessa ironia dos egípcios, não se sabe ao certo o que farão os britânicos, mas com isso podemos tirar uma lição: Cada um com seu patrimônio!

Conto por Lígia Antunes


Rafaela era uma mãe de dois filhos que tinha o hábito de sempre ir à farmácia comprar as suas vitaminas diárias, guloseimas para as crianças e quase tudo o que precisava.

Um certo dia, ela foi à farmácia com o seu filho mais novo. Enquanto ela olhava o que ia comprar, não percebeu que o garoto havia saído do lado dela e estava passeando sozinho pela farmácia.

Depois de escolher tudo o que queria, Rafaela foi atrás do pequeno Miguelzinho, pois já estava escurecendo e ela não queria chegar tarde em casa. Quando o encontrou, ele estava sentado no cantinho da farmácia com um vidro de remédio, que estava exposto nas prateleiras mais baixas em sua mão. O remédio não o mataria, mas também não faria nada bem tomá-lo sem necessidade.

Imediatamente, ela o tirou do local e foi até o responsável pelos remédios contar o ocorrido. Ela contou que queriam que todos os medicamentos ficassem atrás do balcão ou então, para o bem de todos, que apenas mudassem os remédios de lugar para prateleiras mais altas, fora do alcance das crianças.

Ela pegou o garoto e o levou ate o hospital, pois ele não estava nada bem, chegando lá viu que não era nada grave e que ele tinha apenas que tomar soro. Rafaela ficou extremamente agradecida e passou a prestar mais atenção em seus filhos quando os levava à farmácia.

Conto por Lígia Antunes


Rafaela era uma mãe de dois filhos que tinha o hábito de sempre ir à farmácia comprar as suas vitaminas diárias, guloseimas para as crianças e quase tudo o que precisava.

Um certo dia, ela foi à farmácia com o seu filho mais novo. Enquanto ela olhava o que ia comprar, não percebeu que o garoto havia saído do lado dela e estava passeando sozinho pela farmácia.

Depois de escolher tudo o que queria, Rafaela foi atrás do pequeno Miguelzinho, pois já estava escurecendo e ela não queria chegar tarde em casa. Quando o encontrou, ele estava sentado no cantinho da farmácia com um vidro de remédio, que estava exposto nas prateleiras mais baixas em sua mão. O remédio não o mataria, mas também não faria nada bem tomá-lo sem necessidade.

Imediatamente, ela o tirou do local e foi até o responsável pelos remédios contar o ocorrido. Ela contou que queriam que todos os medicamentos ficassem atrás do balcão ou então, para o bem de todos, que apenas mudassem os remédios de lugar para prateleiras mais altas, fora do alcance das crianças.

Ela pegou o garoto e o levou ate o hospital, pois ele não estava nada bem, chegando lá viu que não era nada grave e que ele tinha apenas que tomar soro. Rafaela ficou extremamente agradecida e passou a prestar mais atenção em seus filhos quando os levava à farmácia.

Simplesmente o verão por Thaís Cunha


Hoje, começa a estação mais esperada do ano, o verão. Sem nenhuma explicação, todos esperam por ele, dizem que é no verão que tudo acontece. Deve ser porque é muito quente, feliz, além de acontecer no mês das férias.
Mari, diferente de todos, odeia essa época do ano. Passa quase todos os dias trancada em casa. Ela não gosta de ir à praia ou ao cinema, esses lugares que se tornam ainda melhores nessa estação. Passa os dias reclamando para sua mãe:
- Esse calor, parece que não vai acabar nunca.
- Minha filha, acalme-se. Você sabe que todo ano é assim.
- Mas, parece que a cada dia só piora.
- Você devia sair e se divertir.
- Eu já te falei que eu não gosto, mãe.
- Só acho que seria melhor para você.
Para evitar mais comentários, ela vai para o quarto, deita na cama e começa a refletir sobre a sua vida. Pensava o porquê de estar tão triste e incomodada naqueles dias, o calor era o principal motivo, mas tinha algo a mais. Talvez, fosse porque nenhum dos seus amigos tinham-na convidado para sair, mas todos sabiam que ela não gostava. Então de repente o celular toca:
- Mari, vamos pra praia amanhã?
- Tem certeza de que ligou para a pessoa certa?
- Claro, por quê?
- Eu sou a que não gosta de sair nessa estação.
- Mas, não custava nada tentar e eu quero muito que você vá. Pensa direito e me avisa depois. Beijos.
- Tchau.
Havia sido Tiago ao telefone, ela ficara surpresa. Todas as suas ideias de não sair de casa foram esquecidas, só conseguia pensar em qual roupa usar. Seu coração batia mais rápido do que nunca, foi avisar para sua mãe, que ficou muito feliz. Depois de mais ou menos três horas de indecisão, criou coragem e ligou para ele:
- Alô, a minha mãe disse que eu posso ir amanhã.
- Ótimo, quero muito te ver. Até amanhã então.
No dia seguinte, Mari se arrumou e foi à praia. Quando chegou lá, encontrou todos os seus amigos, riu, brincou, conversou com Tiago, achava agora, até que tinha encontrado o amor, foi o dia mais divertido de toda sua vida. Voltou para casa dizendo:
- Agora eu conheço toda a magia do verão.

Não é um sapo por Thaís Cunha


Tiago aproximava-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

- A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

- Sim, o meu namorado, um príncipe!

Ela, esperando que ele triste virasse e fosse embora, surpreendeu-se quando o viu com um sorrisinho vingativo dizendo:

- Sendo assim, boa sorte. Vai esperar para sempre.

- Você não pode me dizer isso, nem o conhece.

- Não preciso conhecer ele para saber que não é um príncipe.

- Se você sabe tanto, diga-me o porquê dele não ser um.

- Fácil. Se ele realmente fosse, não a deixaria aqui sozinha.

A menina ficou sem resposta, pois concordava com Tiago. Mas, ela não estava esperando seu namorado, não tinha um, esperava seu primo que fora comprar sorvetes. Já estava nervosa com a demora e ficara ainda mais com a presença do rapaz. Ficando cada vez mais sem graça, aliviada avistou uma luz, seu primo que vinha a caminho, acenou, mas ele ao ver o menino conversando com ela desviou. Tiago que percebeu tudo aproveitou falando:

- Bem que eu disse, seu príncipe virou as costas.

Ela, já muito nervosa, confessou tudo, não sabia mais o que inventar. Achando que Tiago enfim a deixaria, surpreendeu-se novamente:

- Não vou embora, é isso que os príncipes fazem, ficam ao lado das damas.

- O que você quer dizer com isso?

- Exatamente o que está pensando, realmente sou um príncipe.

- De verdade?

- Sim, a minha mãe é a rainha da Inglaterra.

- Desculpe-me por tudo que te fiz passar essa tarde.

- Não tem problema agora podemos nos conhecer melhor.

Depois de desfeitos os maus entendidos, os dois saíram para tomar sorvete e se conhecer.

Dinheiro= felicidade? por Thaís Cunha


Certa manhã, Joaquim acordou em seu pequeno apartamento assustado, como todo dia, sempre preocupado com o trabalho. Mas neste estava mais pensativo, sendo assim comentou com sua esposa:
-Mulher, precisamos ganhar mais dinheiro, não sou feliz!
-Mas, querido, você nunca ouviu falar que dinheiro não é felicidade? Minha patroa é rica e não é feliz, por exemplo.
-Pode até ser verdade, mas nós somos pobres e não somos completamente felizes também.
Os dois ficaram pensativos e apesar de quererem conversar mais, encerraram a discussão, despediram-se e foram trabalhar. Já estavam quase atrasados, o caminho era longo e o trânsito insuportável.
Ambos chegaram na hora, ela era empregada doméstica e ele motorista, eram trabalhos duros e cansativos, porém necessários. Mesmo assim mal conseguiam pagar as contas do fim do mês e muitas vezes, por isso, a tristeza dominava o casal.
No fim do expediente, Joaquim já se preparando para ir embora, seu chefe o chamou. Completamente nervoso e com medo de perder o emprego ele se dirigiu a sala:
-Olá senhor.
-Pode se sentar. Rapaz sabe porquê o chamei?
-Não senhor, mas eu juro que não fiz nada de errado.
-Eu sei, e é por isso que eu resolvi lhe dar um aumento há meses que você me pede.
-Muito obrigado senhor. Eu realmente precisava.
-Agora você já pode ir.
Muito feliz, depois da notícia, correu para casa. Ao chegar, beijou e abraçou a mulher, contou a novidade. Ela sorriu e disse:
-Querido, dinheiro realmente não é tudo, mas pode trazer felicidade.

Conto por Priscilla Levy


Certo dia, estando Patrícia em sua entediante rotina no hotel Praia Mansa, trabalhando como faxineira, algo naquele dia algo o surpeendeu.

Indo ela em direção ao elevador de serviço, um homem muito bem aparentado, usando um terno, parecia ser um próspero empresário que chegara de viagem, ia em direção a ela pedir uma informação, e no momento em que ela se virou, eles se entreolharam, e naquele momento começou a surgir, um mistério, uma dúvida, um medo, e até mesmo um sentimento.

O momento foi único e inabalável como se nada pudesse acabar aqueles longos segundos de confusão, de sentimento, de amor.

Um amor que, em determinados pontos de vista, era proibido, impossível.

Ele a puxou pela mão, e a levou em direção ao elevador, e sem darem nenhuma palavra, eles se olhavam algo naquele momento se movia, mais palavras não podiam descrever aquele momento, em que ambos nunca imaginaram ter.

Então veio a primeira frase a partir de Patrícia. Trêmula ela perguntou: -- Qual seu nome?

O rapaz nervoso respondeu: -- De que importa o nome, se o nosso sentimento pode mover montanhas.
Patrícia se deleitava em suas palavras, como se não existisse nada que pudesse destruir aquele momento.

Mas ao chegar ao décimo andar, uma moça loira, com um casaco que mais parecia cobrir-lhe a face, retrucou: -- O que fazes aqui meu amor, com essa empregadinha?

O rapaz, nervoso e trêmulo não sabia o que responder, seu coração batia muito forte. Patrícia em seu lugar,sentiu-se

humilhada, desprezada pelas palavras da mulher, e por ela ter dito a palavra: AMOR, na qual lhe dizia que ele era casado.

A moça loira puxou seu marido, e olhou-a com um olhar de desprezo e indignação.

Patrícia em sua decepção, lembrava-se a todo minuto de sua vida, aquele momento com aquele rapaz.

Conto por Priscilla Levy


A vida nos ensina a viver nosso dia-a-dia, e saber sair de determinadas situações.

Estava eu no carnaval Iguape tomando banho de mar com minhas primas, quando de repente uma multidão aparece correndo para o lado esquerdo da praia.

Eu e minha prima Hanna, fomos ver o que estava acontecendo naquele lugar. Um jovem de dezesseis anos havia se afagado pois o mar estava muito forte naquele dia, e ele sem saber nadar direito, foi entrando cada vez mais, quando o jovem percebeu já estava muito fundo,e ele não conseguia mais voltar, pois a correnteza o puxada cada vez mais !

O desespero tomou conta do jovem, que logo começou a acenar para as pessoas da praia

O salva-vidas foi em direção ao jovem, e o amigo do garoto foi tentar ajudá-lo, mais a tentativa de salva-lo foi frustrada, pois ambos tiveram dificuldades de manter a tranqüilidade.

O desespero só se agravava e as pessoas se apavoraram junto aos garotos, o que piorava ainda mais a situação. Depois de muita luta, os salva-vidas conseguiram trazer ambos a terra firme, e salva-los do desespero.

Eles foram levados ao hospital, onde foram medicados de maneira adequada !

O mistério da Morte por Thaís Lopes


"O mistério do amor é maior que o mistério da morte.”
(Autor Desconhecido).


Ele andava pela calçada. Quase corria. Naquela noite sem lua, só se via sua silhueta movendo-se rapidamente pela rua pouco iluminada. Ele não sabia se ia funcionar. Não sabia se tinha alguma chance de sobreviver. Mas, ele tinha que tentar. Tinha que correr.

Victor tinha chegado até ali para salvar Alice. Ele não iria desistir até que ela estivesse em segurança. Não importava o que poderia acontecer a ele. Ele parou para respirar ao chegar ao prédio alto e escuro. Estava abandonado. Olhou para os lados e entrou.

No salão de entrada, havia uma única lâmpada acesa, no abajur sobre o antigo balcão da recepcionista. Ao lado do abajur, uma foto de Alice. A que ele tinha tirado no dia em que foram à praia. Mas, ele não podia parar para admirar a beleza da foto. Tinha que continuar.

Ele foi até o elevador, mas estava desligado. Que ótimo, pensou. Dirigiu-se até as escadas. Subiu os intermináveis degraus sentindo os pulmões gritando por oxigênio. E se ele não chegasse a tempo? Ele não podia pensar nessa possibilidade.

Ao chegar ao sétimo andar, seguiu pelo corredor até a última porta. Quarto 702. Era aqui. Tinha que ser. Victor abriu a porta lentamente e entrou. Seu coração disparou quando viu Alice amarrada numa cadeira perto da janela.

- Victor. Você veio... – ela disse, com um olhar tão aliviado que quase doía para ele ficar observando-a. Sua voz não passava de um sussurro, o que o deixou ainda mais preocupado.

- Claro que vim. Você sabe que eu nunca deixaria nada te acontecer – ele disse, tocando o rosto dela com adoração.

- Victor, você tem que se apressar, não vai ter muito tempo.

O medo nos olhos de Alice era assustador. Ele começou a desamarrá-la. Ela parecia tão fraca. Eles tinham que sair dali o mais rápido possível, para ele poder levá-la a um hospital. De repente ele se deu conta de que não poderia levá-la a um hospital. Eles perguntariam o que havia acontecido. E ninguém acreditaria na história que ele tinha para contar.

E então a porta se abriu violentamente, trazendo luz ao quarto até então iluminado apenas por uma luz na varanda. A mulher entrou no quarto caminhando lentamente, parecendo flutuar. Victor prendeu a respiração, preparando-se para o que viria a seguir.

- Seu tolo. Eu disse que seria inútil. E mesmo assim, aqui está você. O que você acha que pode fazer? – ela riu. Victor sentiu os pelos da nuca arrepiarem-se ao som daquela risada.

Ela parou de rir e seus olhos pousaram nos dele. Ele olhou de volta, como que a enfrentando. Ela pulou sobre ele. Mas, apesar da velocidade sobre-humana, ele já havia antecipado esse movimento. Antes que ela o atingisse, ele enfiou a estaca de madeira que estava em seu bolso no coração dela. A surpresa atravessou o rosto dela, seguida pelo ódio, mas não havia nada que ela pudesse fazer. Com um último suspiro, o corpo dela caiu sobre o dele, sem vida.

O corpo de Victor tremia. Ele jogou o corpo da vampira no chão e olhou para Alice. Ela também parecia chocada, mas de uma forma diferente. Ele terminou de desamarrá-la e pegou-a em seus braços. Ela estava realmente muito fraca.

- Eu te amo, Alice – ele disse, olhando em seus olhos azuis.

- Eu também te amo, Victor – ela disse, e o beijou. E ele soube que tudo estava bem.

Um dia feliz por Karísia Guedes


Mathias trabalhava para uma companhia de táxi, recebia um salário razoável e geralmente fazia corridas para pessoas ricas, deixando-as em restaurantes caros, hotéis luxuosos e até mesmo em mansões imensas.
O taxista, durantes suas corridas na cidade, com frequência via uma garotinha, sempre a mesma, nas ruas pedindo esmola. Nunca dava nada à criança, mal tinha dinheiro para si mesmo, quanto mais para dar a alguém.
Certo dia, um de seus clientes esqueceu a carteira no táxi. Mathias hesitou em abri-la, mas depois o fez. Combinou consigo mesmo que se houvesse muito dinheiro nela, a devolveria ao dono. Caso contrário, ficaria com a carteira, afinal, não iria fazer falta a ninguém.
Nela havia uma quantia quase sete vezes maior que seu salário, o que o fez ligar para o dono para devolvê-la. Este, satisfeito com a honestidade do taxista, deixou Mathias com a carteira, não a quis de volta.
O rapaz, muito feliz com o presente do cliente, parou de trabalhar mais cedo. No caminho de volta para casa, encostou em um sinal, e lá estava a garotinha que sempre via, pedindo esmola. Deu para ela dinheiro, e esta ficou muito feliz, mas mais feliz ainda ficou Mathias.

Um príncipe por Karísia Guedes


[...]
- Um príncipe? Se ele fosse realmente um príncipe não a deixaria esperando!
A menina não esperava uma resposta como aquela, e respondeu desajeitada:
- O que você quer, hein?
Tiago respondeu rapidamente:
- Duas coisas. A primeira é saber seu nome.
- Iasmim. E a segunda coisa?
- Quero que você me deixe ser seu príncipe.
Sentindo-se insultada, a menina respondeu:
- Não já lhe disse que tenho namorado? Saia daqui!
Tiago saiu, mas continuou espiando Iasmim de longe, sem ser visto. Passaram-se dez, vinte minutos. O suposto namorado da menina não chegou, e esta se pôs a chorar e foi embora. Tiago correu atrás dela, puxou seu braço e disse:
- Linda e adorável Iasmim, seu príncipe veio e você o rejeitou. Agora ele está lhe dando uma segunda chance. Por que você não a aproveita?
A menina encarou Tiago, e com um sorriso lhe deu um forte abraço. Saíram juntos, foram ao cinema.

Desde criança por Karísia Guedes


Joana era uma bela adolescente, de 16 anos, mulata e filha de pais também mulatos. Trabalhava como doméstica em um engenho no sertão nordestino, onde seus pais eram uns dos que trabalhavam nos canaviais, fazendo um trabalho duro, de sol a sol.
A menina tinha uma paixão oculta pelo filho de seu patrão, um jovem branco, bonito e charmoso chamado Heitor. Quando criança sempre brincava às escondidas com o menino, mas agora que estavam crescidos se tornou quase impossível passarem algum tempo juntos, era uma amizade proibida.
Um dia o pai de Heitor arranjou uma namorada para ele. A moça era loira e com os olhos claros, era deslumbrantemente linda. Joana ficou muito triste e com ciúmes, mas o que ela podia fazer? Não conseguiria competir com a namorada do rapaz.
Em uma tarde de domingo, Joana e Heitor estavam sozinhos no casarão do rapaz. A menina, em um ato impulsivo, mas sem nada a perder, resolveu declarar sua paixão a Heitor. Este ficou surpreso, mas mais surpresa ainda ficou a menina quando soube que sua paixão era correspondida.
Imediatamente fizeram planos e, abandonando tudo e todos, resolveram fugir. No final da noite já estavam sozinhos em uma casinha que acharam no meio das matas, à beira de um rio seco. Foi nesse lugar que demonstraram pela primeira vez sua paixão: beijaram-se.

Conto por Davi Alves


-Desculpe-me.-Disse Tiago.-Mas você não me parece do tipo que namoraria uma pessoa arrogante.
-Arrogante!?-Disse a moça.-Ele se veste bem, é bonito e alto.
-Um príncipe? Conte-me mais sobre tal rapaz, estou curioso. -Disse Tiago.
-É algo fora de sua imaginação, ele é único...-E enquanto descrevia o tal príncipe imáginário, Tiago percebe-se encontrando algumas características suas. Mas, a garota era inteligente, enquanto o descrevia, escolhia características fortes no rapaz para deixar-lhe com esperanças, mas ao mesmo tempo, características opostas a Tiago, deixando-lhe com um pé para trás em relação à descrição.
-Parece que você acabou de descrever-me em alguns aspectos. Esse príncipe existe, ou você que me deixar surpreso? Pode apresentar-me a ele?
-Pelo visto ele não vem mais, ele é tímido e você o espantou. Vou-me embora!-Disse a moça.
-Espere! Sei que você está mentindo. Você não está à espera de ninguém. Qual é o seu nome?
-Meu nome é Sarah. E você? Como se chama?
-Eu sou Tiago, mas é sem "h".
Ambos riram do comentário. Conversaram sobre vários aspectos que tinham em comum. Ao final da conversa, ela comentou:-Já está ficando um pouco tarde, meu príncipe deve está com fome.
-Mas eu achei que era somente invenção sua, esse príncipe.
-Então você não está com fome Tiago?-Tiago fitou-a e tentou organizar seus pensamentos.
-Eu estava falando de você seu tolinho.-Beijou-o e foi em direção à lanchonete.

Conto por Davi Alves


Era uma noite perfeita para um assalto, o céu estava escuro e não havia sinais de polícia pela redondeza. Então Paul Lee escolheu a casa mais próxima a seu esconderijo para ter uma fuga rápida.
-Vai ser tão fácil praticar esse roubo, pois como a casa está em reforma ninguém está morando lá; assim, não haverá testemunhas. Vou usar uma touca e um boné por cima para nenhum fio de cabelo cair, e colocar luvas para não deixar impressão digital.-Pensou Lee.
Entrou e começou a pensar:-Se a casa está em reforma, por que eles deixaram vários objetos de valor dentro dela? Não importa, vou pegar a grana, as jóias e vou me mandar daqui! Então começou a jogar as coisas na sacola.
Ao entrar no quarto para pegar as jóias, deparou-se com um cachorro da raça "pit bull" que começou a rosnar para o ladrão.
-Calma garoto. Só vou levar essas coisas e sair daqui.-Disse o ladrão ao cachorro. O cachorro, não gostando da ideia, avançou e mordeu-lhe o saco. O ladrão começou a gritar para o cachorro soltar, puxava o saco com força para não deixar o "pit bull" comer o dinheiro e as jóias que estavam dentro.
Num desses gritos, sua dentadura voou da boca e atingiu o focinho do cachorro fazendo-o soltar o saco do ladrão. Quando o saco saiu da boca do cachorro, o ladrão correu.
-Droga! Esse cachorro estúpido me atrapalhou! Olha o que ele fez com meu saco e meu dinheiro! Estão furados. Não importa, ainda tenho as jóias. Amanhã eu vendo e...-Paul Lee percebe que sua dentadura ficou com o cachorro. Tinha que sair o mais rápido possível da cidade, pois tinha uma lei que dizia que todas as dentaduras tinham que ter o nome gravado na gengiva. Ele sabia que no próximo dia iria ver o sol nascer quadrado se não fugisse.
-Vou para bem longe daqui, vou para o interior me esconder na casa do meu tio Barnabé até as coisas se acalmarem.
E então pôs em prática seu plano de fuga.

Linha vermelha por José Valdir


Bill sempre fazia o mesmo caminho na volta pra casa. Ia de metrô, o que era bem comum para ele, um homem apressado, atarefado e com uma família. Era bastante feliz, na medida do possível. Morava num apartamento bem localizado, os filhos estudavam perto de casa e sua mulher era o que sempre sonhou. Uma boa vida.

De volta ao metrô, a viagem para casa era sempre tranquila, poucas pessoas iam junto com ele, o que lhe dava tempo para pensar. Pensava principalmente sobre o trabalho. A empresa estava indo bem e gerando lucro e emprego para a região, o que lhe agradava. Chegava em casa por volta das dez horas da noite, os filhos já dormiam. Beijava a mulher, também adormecida, e ia dormir.

Esta rotina era de certa forma cômoda, porém algo estava estranho nas viagens que se seguiram. Ele não entendia direito o que era, por isso não ligava tanto para o assunto. No metrô só tinha olhos para a empresa.

E assim foi. Seguiram-se várias viagens do trabalho até em casa. Nada de incomum lhe incomodava. Mais do que nunca a empresa gerava lucros. Ganhara uma promoção uma semana antes, era agora o Vice Presidente Executivo.

No dia 13 de Junho daquele ano, Bill saíra mais tarde do trabalho, ficara preso em uma reunião de emergência com o “chefão” da empresa.

O metrô que lhe levaria para casa já havia partido e teria que pegar outro que sairia dali a meia hora, o que lhe daria tempo para pensar sobre a reunião.

Para sua surpresa, ao chegar na estação, quase em cima da hora de pegar o segundo metrô, viu que o metrô que sempre pegava ainda não havia partido. Isso lhe pareceu um tanto estranho. Olhou em volta. Não havia mais ninguém na estação era só ele e o trem. Ele entrou, não tinha outra opção e seguiu em frente.

Assim que entrou o trem partiu. Parecia estar apenas o esperando. Olhou em volta e não havia ninguém dentro também. Esse fato o assustou, foi-se sentar no lugar de costume.

O trem ia com uma velocidade surpreendente, fora do normal. Já não sabia se ia chegar em casa essa noite. Pensou nos filhos, dormindo felizes em casa, na mulher, que tanto ama, que sempre sonhou em passar o resto de seus dias ao seu lado. Já não sabia se tinha tanto tempo assim. Fechou os olhos, ateve-se a uma reza silenciosa.

O trem pareceu sumir embaixo de seus pés. Abriu novamente os olhos e se viu parado na estação onde sempre descia, seus olhos se encheram de lágrimas. Estava vivo. Largou as coisas da empresa no chão do trem e correu ao encontro da mulher e dos filhos.