sexta-feira, 26 de março de 2010

Perseguição por Tatiana Façanha


Olhei para a sombra admirado. Eu tinha a crença, assim como meus pais, de que tais coisas não eram reais. Surpreso, pensei em alguma desculpa racional para o anjo. Com alívio, lembrei-me de que era um feriado santo, certamente, haveria uma peça na praça próxima.
Eu andei em direção a minha casa, no mesmo caminho de onde vinha a sombra e se dono, ao escutar meus passos, desapareceu na rua seguinte. Intrigado, caminhei mais rápido para ver a face da pessoa fantasiada, mas sempre que eu virava uma esquina, só enxergava-lhe a sombra. Passei a correr, irritado com a minha lentidão e a velocidade da outra pessoa.
Minha respiração estava cada vez mais difícil, minhas pernas doíam; eu quase desisti, quando escutei uma espécie de choro, um lamento que me deu arrepios nos pelos da nuca. Reuni minhas últimas energias para correr até o local onde a sombra tinha desaparecido. Lá, só encontrei uma única pena branca.

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