
Era um dia de sexta-feira e havia um tumulto na pracinha que estava provocando um engarrafamento fora do comum. Desci do carro e me dirigi ao aglomerado de pessoas para verificar qual era o problema. Vi uma ambulância e alguns carros de polícia estacionados, então fiquei um pouco assustado.
Perguntei a uma moça o que estava ocorrendo e ela falou que alguém havia levado um tiro. Imediatamente, um senhor ao meu lado falou:
- 5 tiros.
Perguntei ao ancião se a pessoa que estava caída no chão era a vítima e ele respondeu-me indiferente:
-É.
Ele acrescentou que um policial estava em seu horário de trabalho e um jovem o convidou para brincar de pegador. O PM aceitou e saiu correndo atrás do garoto. Interrompi-o e indaguei:
- Brincando de pegador?
- É. O PM pensou que...
-... em vez de pegar, devia-se atirar no adversário. – completei.
O velhinho confirmou e eu fiquei perplexo. Ele me contou que havia presenciado a cena e que o policial atirou 5 vezes porque pensou que só um não seria suficiente para que o jovem percebesse que fora alcançado. Indignado, perguntei quando o fato havia ocorrido.
- Hoje?
- Cedinho.
Percebi, pela expressão do ancião, que eu estivera brincando de pegador de uma forma errada desde que me tornara policial. Eu devia perguntar aos meus colegas de delegacia para que se usa uma arma, já que não é para brincar de pegador. Saí pensativo e retornei ao carro, pois já estava atrasado para meu outro trabalho.
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