quarta-feira, 21 de abril de 2010

O melhor amigo por José Valdir


Existem casos em que sãs pessoas extrapolam o limite da razão. Coisas simples que fazem as pessoas perderem a cabeça. O nome de alguém pode ou não pode ser dado a um animal?

Numa tarde de sol em Fortaleza, um acontecimento pára o movimento no calçadão da Beira Mar.
Próximo à estatua de Iracema, já havia uma multidão assistindo ao que ocorria. Dentro de um círculo de gente encontravam-se duas mulheres discutindo, uma delas acompanhada de um cachorro.
Elas eram, com certeza, de gerações diferentes; a da esquerda aparentando 50 anos bem vividos, uma mulher culta e elegante. A da direita, com o cachorro, estava na casa dos 20 anos, era jovem e agitada.
_ Como ousa ofender uma pessoa tão ilustre! - esbravejou a senhora mais velha.
_ E quem é você para dizer como eu posso ou não chamar meu cachorro?! -rebateu a jovem_ O nome dele é, e sempre será, Fernando Pessoa!
_ Se Portugal sabe o que você fez, eles iriam prendê-la!
A discussão continuou por mais alguns minutos. A multidão apoiando hora uma, hora outra. Até que um garotinho com cara de choro foi na direção delas.
_ Com licença moças, - disse ele - vocês podem me dizer onde fica o cartório dos animais? - elas olharam para ele sem entender - É que, se os portugueses podem prender por conta desse moço chamado Fernando Pessoa, tenho medo do que os franceses vão fazer quando descobrirem que meu gato se chama Napoleão.
As duas se emocionaram, desculparam-se, consolaram o garoto, e seguiram seus caminhos.

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