segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não é um sapo por Thaís Cunha


Tiago aproximava-se devagarinho daquela menina sentada distraidamente na pracinha do shopping. Parece que vai pregar-lhe um susto, mas imposta a voz e diz com pose de galã:

- A senhorita, com ar tão solitário, espera alguém?

Depois do ligeiro susto, ela empina o nariz e responde toda afetada:

- Sim, o meu namorado, um príncipe!

Ela, esperando que ele triste virasse e fosse embora, surpreendeu-se quando o viu com um sorrisinho vingativo dizendo:

- Sendo assim, boa sorte. Vai esperar para sempre.

- Você não pode me dizer isso, nem o conhece.

- Não preciso conhecer ele para saber que não é um príncipe.

- Se você sabe tanto, diga-me o porquê dele não ser um.

- Fácil. Se ele realmente fosse, não a deixaria aqui sozinha.

A menina ficou sem resposta, pois concordava com Tiago. Mas, ela não estava esperando seu namorado, não tinha um, esperava seu primo que fora comprar sorvetes. Já estava nervosa com a demora e ficara ainda mais com a presença do rapaz. Ficando cada vez mais sem graça, aliviada avistou uma luz, seu primo que vinha a caminho, acenou, mas ele ao ver o menino conversando com ela desviou. Tiago que percebeu tudo aproveitou falando:

- Bem que eu disse, seu príncipe virou as costas.

Ela, já muito nervosa, confessou tudo, não sabia mais o que inventar. Achando que Tiago enfim a deixaria, surpreendeu-se novamente:

- Não vou embora, é isso que os príncipes fazem, ficam ao lado das damas.

- O que você quer dizer com isso?

- Exatamente o que está pensando, realmente sou um príncipe.

- De verdade?

- Sim, a minha mãe é a rainha da Inglaterra.

- Desculpe-me por tudo que te fiz passar essa tarde.

- Não tem problema agora podemos nos conhecer melhor.

Depois de desfeitos os maus entendidos, os dois saíram para tomar sorvete e se conhecer.

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