segunda-feira, 10 de maio de 2010

Linha vermelha por José Valdir


Bill sempre fazia o mesmo caminho na volta pra casa. Ia de metrô, o que era bem comum para ele, um homem apressado, atarefado e com uma família. Era bastante feliz, na medida do possível. Morava num apartamento bem localizado, os filhos estudavam perto de casa e sua mulher era o que sempre sonhou. Uma boa vida.

De volta ao metrô, a viagem para casa era sempre tranquila, poucas pessoas iam junto com ele, o que lhe dava tempo para pensar. Pensava principalmente sobre o trabalho. A empresa estava indo bem e gerando lucro e emprego para a região, o que lhe agradava. Chegava em casa por volta das dez horas da noite, os filhos já dormiam. Beijava a mulher, também adormecida, e ia dormir.

Esta rotina era de certa forma cômoda, porém algo estava estranho nas viagens que se seguiram. Ele não entendia direito o que era, por isso não ligava tanto para o assunto. No metrô só tinha olhos para a empresa.

E assim foi. Seguiram-se várias viagens do trabalho até em casa. Nada de incomum lhe incomodava. Mais do que nunca a empresa gerava lucros. Ganhara uma promoção uma semana antes, era agora o Vice Presidente Executivo.

No dia 13 de Junho daquele ano, Bill saíra mais tarde do trabalho, ficara preso em uma reunião de emergência com o “chefão” da empresa.

O metrô que lhe levaria para casa já havia partido e teria que pegar outro que sairia dali a meia hora, o que lhe daria tempo para pensar sobre a reunião.

Para sua surpresa, ao chegar na estação, quase em cima da hora de pegar o segundo metrô, viu que o metrô que sempre pegava ainda não havia partido. Isso lhe pareceu um tanto estranho. Olhou em volta. Não havia mais ninguém na estação era só ele e o trem. Ele entrou, não tinha outra opção e seguiu em frente.

Assim que entrou o trem partiu. Parecia estar apenas o esperando. Olhou em volta e não havia ninguém dentro também. Esse fato o assustou, foi-se sentar no lugar de costume.

O trem ia com uma velocidade surpreendente, fora do normal. Já não sabia se ia chegar em casa essa noite. Pensou nos filhos, dormindo felizes em casa, na mulher, que tanto ama, que sempre sonhou em passar o resto de seus dias ao seu lado. Já não sabia se tinha tanto tempo assim. Fechou os olhos, ateve-se a uma reza silenciosa.

O trem pareceu sumir embaixo de seus pés. Abriu novamente os olhos e se viu parado na estação onde sempre descia, seus olhos se encheram de lágrimas. Estava vivo. Largou as coisas da empresa no chão do trem e correu ao encontro da mulher e dos filhos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário