
"O mistério do amor é maior que o mistério da morte.”
(Autor Desconhecido).
Ele andava pela calçada. Quase corria. Naquela noite sem lua, só se via sua silhueta movendo-se rapidamente pela rua pouco iluminada. Ele não sabia se ia funcionar. Não sabia se tinha alguma chance de sobreviver. Mas, ele tinha que tentar. Tinha que correr.
Victor tinha chegado até ali para salvar Alice. Ele não iria desistir até que ela estivesse em segurança. Não importava o que poderia acontecer a ele. Ele parou para respirar ao chegar ao prédio alto e escuro. Estava abandonado. Olhou para os lados e entrou.
No salão de entrada, havia uma única lâmpada acesa, no abajur sobre o antigo balcão da recepcionista. Ao lado do abajur, uma foto de Alice. A que ele tinha tirado no dia em que foram à praia. Mas, ele não podia parar para admirar a beleza da foto. Tinha que continuar.
Ele foi até o elevador, mas estava desligado. Que ótimo, pensou. Dirigiu-se até as escadas. Subiu os intermináveis degraus sentindo os pulmões gritando por oxigênio. E se ele não chegasse a tempo? Ele não podia pensar nessa possibilidade.
Ao chegar ao sétimo andar, seguiu pelo corredor até a última porta. Quarto 702. Era aqui. Tinha que ser. Victor abriu a porta lentamente e entrou. Seu coração disparou quando viu Alice amarrada numa cadeira perto da janela.
- Victor. Você veio... – ela disse, com um olhar tão aliviado que quase doía para ele ficar observando-a. Sua voz não passava de um sussurro, o que o deixou ainda mais preocupado.
- Claro que vim. Você sabe que eu nunca deixaria nada te acontecer – ele disse, tocando o rosto dela com adoração.
- Victor, você tem que se apressar, não vai ter muito tempo.
O medo nos olhos de Alice era assustador. Ele começou a desamarrá-la. Ela parecia tão fraca. Eles tinham que sair dali o mais rápido possível, para ele poder levá-la a um hospital. De repente ele se deu conta de que não poderia levá-la a um hospital. Eles perguntariam o que havia acontecido. E ninguém acreditaria na história que ele tinha para contar.
E então a porta se abriu violentamente, trazendo luz ao quarto até então iluminado apenas por uma luz na varanda. A mulher entrou no quarto caminhando lentamente, parecendo flutuar. Victor prendeu a respiração, preparando-se para o que viria a seguir.
- Seu tolo. Eu disse que seria inútil. E mesmo assim, aqui está você. O que você acha que pode fazer? – ela riu. Victor sentiu os pelos da nuca arrepiarem-se ao som daquela risada.
Ela parou de rir e seus olhos pousaram nos dele. Ele olhou de volta, como que a enfrentando. Ela pulou sobre ele. Mas, apesar da velocidade sobre-humana, ele já havia antecipado esse movimento. Antes que ela o atingisse, ele enfiou a estaca de madeira que estava em seu bolso no coração dela. A surpresa atravessou o rosto dela, seguida pelo ódio, mas não havia nada que ela pudesse fazer. Com um último suspiro, o corpo dela caiu sobre o dele, sem vida.
O corpo de Victor tremia. Ele jogou o corpo da vampira no chão e olhou para Alice. Ela também parecia chocada, mas de uma forma diferente. Ele terminou de desamarrá-la e pegou-a em seus braços. Ela estava realmente muito fraca.
- Eu te amo, Alice – ele disse, olhando em seus olhos azuis.
- Eu também te amo, Victor – ela disse, e o beijou. E ele soube que tudo estava bem.
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