
Entrou no elevador. Ia para o décimo terceiro andar. Eram 3 da madrugada. “Não encontrarei ninguém nesse horário”, pensou. Tinha acabado o plantão e bebido umas cervejas, precisava chegar em casa e usar o banheiro.
Entrou no elevador. Apertou 13, pequena viagem. Assim que fechou a porta, não resistiu: soltou um pum barulhento e fedorento. Iria pagar a penitência daquele pecado, sentindo aquele odor. - "Mas sentirei sozinho", pensou.
Naqueles intermináveis segundos entre o térreo e o décimo terceiro andar, apenas esperava a porta abrir. Ela abriu no sétimo andar. Um casal entrou. Ela morava no sétimo e ele, no décimo quinto. 3 horas da madrugada! Ele ficou desesperado.
Médico conhecido, chefe de emergência de um dos maiores hospitais do Fortaleza, olhou apavorado para aquele casal. Sua reputação no prédio estaria arruinada. Como poderia defender suas posições na reunião do condomínio? Logo diriam:
-O peidão quer falar! O peidão quer defender maior orçamento para a limpeza, mas como defender a limpeza se ele polui o ambiente?
Sentiu-se em uma prisão. O elevador, que seria seu porto seguro, transformou-se em uma cela. Com dois inquisidores a nem sequer encará-lo, olhando um para o outro, dizendo coisas apaixonadas de forma silenciosa."Pura ironia, estão é disfarçando", pensou.
Décimo-segundo andar, escuta o casal falar pela primeira vez:
-Amor?
-Oi.
-Esqueci o descongestionante nasal. Como nós vamos conseguir dormir, se ambos estamos com uma sinusite braba? Temos de voltar para casa e pegá-lo.
Apertam o elevador para o sete. Abre-se a porta no décimo terceiro andar. Alívio. Não sentiram o cheiro. Alívio. Está na porta de casa. Alívio. Alívio. Tanto alívio que não segurou a bexiga, molhando-se inteiro. Mas, tudo bem. Embora tenha que lavar a calça branca, não teve nenhum prejuízo. E decidiu se segurar ao entrar no elevador.
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