
Eu estava planejando esta viagem há cinco meses. Meus filhos já estavam com treze anos e nunca haviam andado de avião. Eu e meu marido passamos meses economizando para poder ir ao Rio de Janeiro e visitar o Maracanã, que era o sonho dos meninos
Nós conseguimos uma boa promoção e compramos as passagens mais baratas. Chegando ao Rio de Janeiro, tivemos dificuldade para encontrar um hotel que tivesse um preço acessível, mas acabamos encontrando um em que o dono concordou em nos dar um desconto.
Como nunca tinha viajado para uma cidade tão grande, pois morava no interior e estava acostumada com a vida simples, não levei uma grande quantia para gastar, apenas o necessário para nos alimentarmos pelos cinco dias. O problema é que até os restaurantes tinham um preço absurdo, e tivemos que almoçar em lanchonetes e lugares mais simples.
Meus filhos tinham concordado em não comprar nada durante a viagem e, confiando nisso, não destinei nenhum dinheiro a isso. Porém, no segundo dia, eles já estavam implorando para que eu comprasse camisas de time e bola oficial, chuteiras iguais as dos jogadores, bandeiras do flamengo, etc. Eram coisas que ele nunca tinha visto na nossa pequena cidade e, por isso, também achou que não veria aqui. Devem ter se arrependido da promessa que fizeram de não comprar nada, pois não gostavam quando eu os lembrava dela.
Depois de conhecermos o Maracanã, fomos andar pela praia de Copacabana, afinal, era um lugar lindo e não precisava pagar nada (além das águas de coco e picolés). Mas o passeio acabou saindo mais caro do que qualquer outro. Meus filhos conheceram dois amigos que, diferente de nós, eram ricos e tinham até um campo de futebol oficial em suas casas.
Voltamos da praia ouvindo meus filhos contar tudo o que esses garotos tinham e como eles podiam se divertir até em suas próprias casas. Eu nunca achei que dinheiro trouxesse felicidade, mas essa viagem estava mudando meus conceitos. Pensei que, com dinheiro, estaríamos hospedados em um hotel maravilhoso, comendo nos melhores restaurantes, poderia ter comprado alguns presentes para mim, meu marido e meus filhos. E, a melhor parte é que eu teria aproveitado toda a viagem sem preocupações, pois já tenho que voltar para casa e nem lembro direito do que vi, além de não ter batido fotos por falta de máquina fotográfica.
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