terça-feira, 27 de abril de 2010

Santíssima Trinidad por Lucas Tursi



O suor escorria pelo rosto de Gonzàlez. Estava num porão úmido e imundo de um navio inglês e tinha plena consciência de como sua situação era delicada. Era o único sobrevivente de um ataque pirata ao seu navio, o Santíssima Trinidad. Estavam navegando de volta à Europa após dois anos de comércio com o Novo Mundo, quando, numa noite, em meio à névoa ele escutara a reverberação da canhoneada súbita vinda de vários navios. De repente, o galeão em que ele estava começou a sacudir violentamente, e o ar encheu-se de gritos de pessoas feridas. Pelos sons, os disparos vinham de pelo menos três direções diferentes.

Forçando a vista, ele pôde distinguir que um dos navios agressores era bem grande, com pelo menos duas fileiras de canhões, pesando no mínimo 60 toneladas. Ora, mas o Santíssima Trinidad era uma belonave gigantesca, relativamente nova para o padrão dos navios de batalha existentes e possuía três fileiras de canhões em cada banda, junto com mais oito canhões para defesa de proa e de popa, totalizando 100 canhões no total. Mas o problema era que não havia boa visibilidade. Mesmo assim, o barco espanhol atirou como pôde, e pelos sons que chagavam através da névoa, percebia-se que pelo menos alguns disparos haviam atingido um dos alvos.

Mas após quarenta minutos de batalha, sem poder fugir, o Santíssima Trinidad rendeu-se. Em chamas, com quase toda a tripulação morta ou ferida de algum modo, não havia esperança de vencer. Para poupar vidas, o capitão ordenou que os grumetes hasteassem a bandeira branca. Eles já haviam saído da neblina há muitos minutos, mas as balas de canhão já haviam começado a cobrar seu preço, e havia inimigos demais para travar-se uma luta decente.

Após serem todos presos e acorrentados, viram que seu inimigo era ninguém mais do que sir Drake, o corsário, que a mando da infame rainha Elizabeth pilhava e roubava os mares, dando metade dos lucros para o Império Britânico. Havia também mais dois lordes ingleses com ele para dar apoio político embora os quais ele não pôde reconhecer.

Foram todos mandados para os porões do navio, onde um quinto dos 35 prisioneiros morreu logo após a batalha, e mais alguns nas outras 3 semanas que se seguiram, devido às doenças. A comida e a água eram horríveis e o porão era muito sujo. Após isso, o capitão, que havia sobrevivido, começou a imaginar um plano para assumirem o controle do navio.

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