quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ídolo por Raissa Rocha


Um menino passeava pelo calçadão da praia. Tinha seus 15 anos. Um menino do interior, que crescido no Rio de Janeiro se considerava carioca, nunca se importou com a presença de atores. Mas, como toda regra tem sua exceção, para ele só um artista o deixaria transtornado: Chico Buarque.

Naquele dia de semana, o menino míope foi à praia de óculos ao invés de lentes. Mergulhou no mar gelado e ao sair da água decidiu comprar um refrigerante, sem os óculos. Ao entrar na ciclovia, sentiu um tropeção sobre seu corpo, de um praticante de cooper. Quase ia soltando um palavrão, quando ouviu um singelo:

- Desculpe.

Tomou um tapinha nas costas, e notou um par de olhos cor de um verde acinzentado. Ao ver o par de olhos, ficou na dúvida se era seu ídolo máximo, uma vez que aquela cor de olhos era raríssima. Tentou observá-lo, fazendo inclusive aquele ridículo buraquinho com as mãos, como uma pequena luneta. Quando o homem do cooper estava a mais de 100 metros de distância, um amigo seu veio lhe falar:

- Cara, o Chico Buarque tropeçou em você!!!

Depois deste dia, e desse infeliz incidente, o menino sempre contou esta história aos conhecidos e amigos, ressaltando que tomou um tapinha nas costas do Chico Buarque. E nunca mais foi à praia sem lentes de contato.

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